Uma missão da Northrop Grumman tenta evitar que um telescópio da NASA se desintegre na atmosfera terrestre. A ideia é usar um robô espacial capaz de capturar a nave diretamente em órbita.
O alvo é o observatório Neil Gehrels Swift, em operação desde 2004, que agora chega ao fim da sua vida útil por causa da degradação natural da órbita.
Corrida contra o tempo no espaço
Operação usa foguete Pegasus XL lançado por aeronave para colocar a espaçonave de resgate em órbita. – Imagem: Divulgação/Northrop Grumman
Segundo a New Atlas, a NASA se prepara para uma missão que, em termos simples, tenta “resgatar” um telescópio antes que ele volte de forma descontrolada para a atmosfera. A operação será conduzida pela Northrop Grumman, com apoio de uma espaçonave robótica projetada para fazer manobras autônomas no espaço.
O Swift foi lançado em 2004 e passou quase duas décadas estudando explosões de raios gama e outros fenômenos do universo. Agora, o satélite entra numa fase mais delicada da sua trajetória — a órbita vai perdendo altitude aos poucos, sem volta.
E aqui está o problema: não dá para simplesmente “esperar ver o que acontece”.
Operação envolve aproximação lenta e precisa entre duas espaçonaves viajando a cerca de 27 mil km/h. – Imagem: Divulgação/Northrop Grumman
Como será o resgate espacial
O plano envolve o foguete Pegasus XL, lançado por aeronave, que colocará em órbita a espaçonave LINK, desenvolvida pela Katalyst Space Technologies. Depois disso, ela segue sozinha rumo ao telescópio, numa aproximação lenta e altamente calculada.
Na prática, é uma operação cheia de obstáculos bem concretos:
não existe sistema de acoplamento no telescópio
tudo depende de navegação totalmente autônoma
a velocidade relativa chega a cerca de 27.000 km/h
ninguém sabe exatamente como o satélite está após 22 anos
sensores como LiDAR e câmeras ópticas serão essenciais
Robô espacial autônomo será usado para tentar “resgatar” o observatório Swift após 22 anos em órbita. – Imagem: Divulgação/Northrop Grumman
O encontro em órbita e o plano final
A LINK deve levar dias, possivelmente semanas, ajustando a própria órbita até conseguir chegar perto o suficiente do Swift. Só então entram em cena os braços robóticos, que vão tentar agarrar pontos estruturais do telescópio.
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Se der certo, a nave de serviço empurra o Swift para uma órbita mais alta, por volta de 600 km. Isso deve prolongar a operação por mais alguns anos. O detalhe é que o telescópio nunca foi pensado para esse tipo de intervenção.
Um marco para a manutenção de satélites
Se tudo funcionar como planejado, essa será a primeira vez que um satélite científico dos Estados Unidos é “resgatado” sem ter sido projetado para isso. Até pouco tempo atrás, esse tipo de missão simplesmente não existia na prática.
O lançamento está previsto para o fim de junho de 2026. A Northrop Grumman afirma que o projeto mostra como o foguete Pegasus ainda tem flexibilidade para missões rápidas e bem fora do padrão.
No fim, não é só sobre salvar um telescópio. É também um teste do quanto a gente consegue prolongar a vida útil de equipamentos em órbita — e até onde essa ideia pode ir nos próximos anos.
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