O uso de pequenos dispositivos de rastreamento, conhecidos como “tags”, escondidos em objetos pessoais para perseguir mulheres em São Paulo acendeu um alerta das autoridades. A prática, revelada por reportagem da Folha de S.Paulo, pode configurar crime de stalking, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
A investigação aponta que esses aparelhos vêm sendo usados de forma clandestina para acompanhar a rotina das vítimas sem qualquer autorização. E, muitas vezes, sem que elas percebam.
Quando a tecnologia vira ferramenta de vigilância
Os relatos mostram um padrão que tem chamado atenção: homens escondem tags em carros, bolsas, mochilas e até em objetos de crianças para rastrear mulheres em tempo real. São dispositivos pequenos, quase imperceptíveis, vendidos por menos de R$ 100 e fáceis de encontrar no mercado.
Na prática, isso significa que a vítima pode estar sendo monitorada em silêncio, no dia a dia, sem qualquer sinal evidente.
dispositivos pequenos, do tamanho de uma moeda
ocultação em veículos e objetos pessoais
rastreamento em tempo real sem percepção da vítima
baixo custo, abaixo de R$ 100
uso sem consentimento
Não há um levantamento oficial específico sobre esse tipo de ocorrência, mas os casos acabam sendo enquadrados como perseguição, o chamado stalking.
O que a lei considera perseguição
A Secretaria da Segurança Pública afirma que esse tipo de conduta pode se enquadrar no artigo 147-A do Código Penal, que trata do crime de perseguição. A lei foi incluída em 2021 justamente para lidar com situações desse tipo.
O stalking ocorre quando alguém persegue outra pessoa de forma repetida, ameaçando sua integridade física ou psicológica, restringindo sua liberdade ou invadindo sua privacidade.
A pena prevista é de seis meses a dois anos de prisão, além de multa, com aumento possível quando a vítima é mulher.
Segundo a SSP, o estado mantém ações contínuas de enfrentamento à perseguição e à violência de gênero, com foco na proteção e no atendimento das vítimas.
Casos que vêm chamando atenção em São Paulo
Dados da Secretaria da Segurança Pública indicam aumento nos registros de stalking na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no Cambuci, região central de São Paulo, no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período anterior.
O estado conta com uma rede formada por 144 Delegacias de Defesa da Mulher e 220 salas especializadas. Entre as iniciativas de apoio, está a Cabine Lilás, instalada no Centro de Operações da Polícia Militar, que já realizou milhares de atendimentos.
No campo tecnológico, o aplicativo SP Mulher Segura permite acompanhar medidas protetivas e inclui botão do pânico, reunindo mais de 61 mil usuárias ativas.
Mesmo com essa estrutura, autoridades reconhecem que muitos casos não chegam a denúncias formais, o que dificulta medir a real dimensão do problema. O ponto de atenção é justamente esse: tecnologias simples, como as tags, podem ser usadas como instrumentos de vigilância silenciosa, difíceis de detectar no cotidiano.
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