Nova lesão associada a bicicletas elétricas preocupa médicos

A onda das bicicletas elétricas tem aumentado cada vez mais nos últimos anos, principalmente no meio urbano. E-bikes para aluguel, sistemas para transformar bicicletas “normais” em elétricas e mais empresas envolvidas nesses veículos mostram esse impacto.

No entanto, médicos começaram a observar um padrão preocupante dessa popularização: recorrentes lesões graves em pernas, joelhos e tornozelos após acidentes com e-bikes. Essas ocorrências são comuns principalmente no uso das bicicletas elétricas para aluguel, gerando um fenômeno apelidado como “Lime bike leg”, em referência à empresa Lime, que disponibiliza e-bikes para aluguel.

Para quem tem pressa:

Médicos têm observado um aumento de fraturas graves em pernas, joelhos e tornozelos após acidentes com bicicletas elétricas compartilhadas, fenômeno apelidado informalmente de “Lime bike leg”;

As lesões incluem fraturas expostas e deslocamentos, e podem estar relacionadas ao maior peso das e-bikes e à força gerada em quedas e colisões;

Especialistas apontam que a combinação entre bicicletas mais pesadas, aceleração elétrica e usuários pouco familiarizados com o veículo pode contribuir para o aumento desses acidentes.

As novas lesões chamam atenção

As lesões podem demandar muitos meses de recuperação – Imagem: Akarawut / Shutterstock

Quedas em bicicletas são comuns e geralmente não apresentam complicações muito sérias para os ciclistas. Porém, com as e-bikes, essa realidade mudou. Agora entre os casos apontados pelos especialistas como frequentes estão fraturas da tíbia e deslocamentos de joelho e tornozelo.

Um dos exemplos citados por um artigo do The Conversation é o de um homem na faixa dos 30 anos que chegou ao Royal London Major Trauma Centre após perder o controle de uma bicicleta elétrica compartilhada. Exames revelaram uma fratura exposta no tornozelo. O paciente precisou passar por múltiplas cirurgias, enxertos de pele e músculo, além de meses de fisioterapia.

Para analisar esses acidentes, os médicos apontaram alguns possíveis fatores importantes. O primeiro deles se relaciona com o peso. Bicicletas elétricas são consideravelmente mais pesadas que bikes comuns. Em uma queda, esse peso pode prender a perna do ciclista contra o chão ou contra a própria bicicleta, gerando torções e/ou lesões mais sérias.

Outro fator importante é a velocidade atingida por esses veículos. Muitos usuários de bicicletas compartilhadas utilizam o serviço apenas ocasionalmente e podem não estar familiarizados com a alta velocidade, especialmente em arrancadas, curvas ou freadas bruscas. Esta falta de costume, inclusive, pode também aumentar muito o risco de perda de controle e, consequentemente, de acidentes graves.

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A elevação na frequência dos casos acompanha a expansão acelerada das bicicletas elétricas. Em Londres, por exemplo, usuários de e-bikes compartilhadas representam atualmente cerca de 20% das vítimas de acidentes graves com bicicletas, contra aproximadamente 1% registrado há menos de dez anos.

Apesar do padrão, pesquisadores ressaltam que a grande maioria das viagens termina sem nenhum tipo de problema. A empresa Lime afirma que mais de 99,99% dos trajetos realizados em suas bicicletas são concluídos com segurança.

Com isso, as análises do chamado “Lime bike leg” provavelmente não resultam de uma única causa, como uma marca ou localidade específica, mas da combinação de fatores como bicicletas mais pesadas, velocidades maiores e um número crescente de usuários circulando em ambientes urbanos.

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