Uma investigação conduzida por cientistas de diferentes países identificou uma proteína presente no plasma sanguíneo, chamada GDF15, como possível marcador precoce associado ao risco de desenvolvimento de demência ao longo de décadas. O achado se baseia na análise de dados de múltiplas populações acompanhadas ao longo do tempo. A pesquisa foi publicada nesta sexta-feira (26) na revista Science Advances.
O trabalho reuniu informações de seis grupos distintos de cientistas, com participantes dos Estados Unidos, Reino Unido, Islândia e Japão, incluindo amostras biológicas e registros de saúde por períodos que chegaram a até 25 anos de acompanhamento.
Segundo os autores, níveis elevados da proteína em pessoas com até 55 anos estiveram ligados a maior probabilidade de demência no futuro, especialmente em casos relacionados à circulação sanguínea no cérebro.
Relação entre GDF15 e risco neurológico ao longo do tempo
A análise combinou diferentes etapas metodológicas para investigar a associação entre a proteína e o declínio cognitivo. Em uma delas, os pesquisadores utilizaram dados genéticos em larga escala para testar se variantes associadas ao aumento da GDF15 também se relacionavam a maior risco de demência. Esse procedimento reforçou a hipótese de ligação causal entre o biomarcador e a doença.
Entre os resultados, a relação mais forte foi observada na demência vascular, condição associada a alterações no fluxo sanguíneo cerebral. Os pesquisadores levantaram a possibilidade de que processos inflamatórios estejam envolvidos nessa conexão.
Em outras análises, a presença elevada de GDF15 no sangue também apareceu relacionada ao aumento da mesma proteína no líquido que envolve o sistema nervoso central, além de sinais de redução do volume cerebral. Não foi observada relação direta com depósitos da proteína beta-amiloide, frequentemente associados ao Alzheimer.
Testes laboratoriais com células do sistema imune indicaram ainda que a GDF15 pode interferir em mecanismos de defesa e metabolismo energético. Apesar de desempenhar funções importantes no organismo, incluindo atuação no controle da resposta imunológica, a proteína também já foi associada a efeitos protetores em outras condições, como no controle da disseminação de câncer.
Os pesquisadores sugerem que o excesso dessa atividade reguladora pode, em determinados contextos, enfraquecer respostas imunológicas no cérebro, contribuindo para vulnerabilidades associadas ao desenvolvimento da demência.
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