“Remédio dos deuses”: a aposta bilionária da IA na saúde

Uma empresa de biotecnologia vem chamando atenção ao usar inteligência artificial para acelerar a criação de medicamentos e testar novas possibilidades no tratamento de doenças complexas. A InSilico Medicine está no centro desse movimento e aposta forte na China.

Para o The Wall Street Journal, a estratégia mistura IA, acordos bilionários e uma disputa global cada vez mais intensa na indústria farmacêutica, com foco em doenças como câncer e Parkinson.

“Meu trabalho é fazer você viver muito mais”: CEO da InSilico aposta em medicamentos para ampliar a longevidade humana. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

IA entrando no processo de descoberta de remédios

A InSilico Medicine trabalha no desenvolvimento de medicamentos para doenças como câncer, Parkinson e fibrose pulmonar com ajuda de inteligência artificial. Agora, a empresa mira um passo ainda mais ambicioso: criar o que o CEO chama de um “remédio quase divino”, com potencial de aumentar a longevidade humana.

“Meu trabalho é fazer você viver muito, muito mais”, disse o CEO Alex Zhavoronkov ao explicar a visão da companhia.

O ponto central aqui é o ritmo. A IA ajuda a encurtar etapas que normalmente levariam anos no laboratório. Em alguns casos, segundo a empresa, esse processo pode chegar a algo próximo de nove meses.

Não é pouca coisa.

China virou peça-chave na estratégia

Mesmo com sede em Boston, a InSilico decidiu concentrar parte importante da operação na China, hoje um dos polos mais competitivos da biotecnologia mundial. E não está sozinha nessa movimentação.

O próprio CEO é direto ao falar do cenário.

“Todos os nossos concorrentes estão [na China] agora. Se não avançarmos com força, vamos ser superados”, afirmou Zhavoronkov.

O que chama atenção é a diferença de velocidade. Segundo ele, o intervalo entre a descoberta de um alvo terapêutico e os primeiros testes clínicos já caiu para cerca de 2,5 anos na China. Em outros mercados, esse ciclo ainda gira em torno de 4,5 anos.

Na prática, isso muda o jogo.

Futuro da saúde: startup aposta em IA para criar tratamentos inovadores para câncer, Parkinson e outras doenças.
– Imagem: sasirin pamai/iStock

Acordos bilionários e expansão acelerada

A empresa já começa a sentir os efeitos da estratégia em contratos de grande porte. Um dos principais é com a Eli Lilly, que pode alcançar até US$ 2,75 bilhões.

Pouco depois, veio outro acordo relevante com a sul-coreana SK Biopharmaceuticals, avaliado em até US$ 2,5 bilhões.

O acordo com a Eli Lilly pode dobrar a receita da empresa no ano

A parceria com a SK Biopharmaceuticals amplia a presença internacional

13 candidatos a medicamentos já receberam aprovação inicial na China

10 deles estão em fase de testes clínicos

5 foram desenvolvidos ou licenciados com parceiros locais

Mesmo sem lucro até agora, a empresa afirma ter fôlego financeiro para seguir operando por cinco a seis anos sem necessidade de novos aportes.

IA, expectativas altas e alerta do próprio setor

A InSilico está entre as pioneiras no uso de inteligência artificial aplicada à descoberta de medicamentos. Alguns compostos já chegaram a fases clínicas, algo ainda raro na indústria.

Mas o próprio CEO faz um alerta sobre o momento do setor.

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“Há claramente uma grande bolha. Quando ela estourar, pode ser maior que 2008”, disse Zhavoronkov, ao comentar o risco de empresas supervalorizadas sem resultados consistentes.

Ao mesmo tempo, ele mantém o discurso de continuidade. A empresa, segundo ele, está preparada para oscilações e segue mirando o longo prazo.

A corrida por medicamentos desenvolvidos com inteligência artificial ainda está no começo, mas já movimenta bilhões e redesenha estratégias globais. No centro dessa disputa, a InSilico aposta que a combinação entre IA e biotecnologia pode acelerar a medicina — e, quem sabe, mudar o que se entende por longevidade humana.

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