Vista embaçada aos 50 anos? O mito da catarata “madura” que pode colocar sua visão em risco

A catarata é a principal causa de cegueira tratável no mundo e faz parte do processo natural de envelhecimento. No Brasil, a doença atinge cerca de 25% das pessoas com mais de 50 anos, o equivalente a mais de 14 milhões de brasileiros, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Apesar de a cirurgia ser considerada segura e altamente eficaz, muitas pessoas ainda adiam o tratamento por acreditarem que é preciso esperar a catarata “amadurecer”. Especialistas alertam que essa ideia está ultrapassada e pode aumentar os riscos do procedimento.

É preciso esperar a catarata avançar?

“Essa ideia vem da época em que a técnica cirúrgica era mais rudimentar e a catarata muito avançada facilitava a remoção, já que o cristalino era retirado inteiro”, explica Hallim Féres Neto, oftalmologista, diretor da Prisma Visão e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

“Hoje é o contrário: a catarata ‘madura’ demais torna a cirurgia mais trabalhosa, aumenta o tempo de ultrassom e o risco de complicações. A indicação atual é funcional, operamos quando a catarata começa a atrapalhar a vida do paciente, seja para dirigir, ler ou trabalhar”, completa.

Quando a visão começa a prejudicar atividades como dirigir, ler, trabalhar ou realizar tarefas do dia a dia, já é hora de conversar com o oftalmologista sobre o tratamento.

Adiar a cirurgia pode tornar o cristalino mais endurecido, dificultando sua retirada e aumentando a chance de complicações durante o procedimento. Em situações mais graves, a catarata também pode favorecer o surgimento de glaucoma e processos inflamatórios nos olhos.

Quais são os primeiros sinais?

A perda de visão causada pela catarata costuma acontecer de forma lenta e progressiva. Entre os sintomas mais comuns estão:

Visão embaçada que não melhora com a troca dos óculos.
Sensibilidade à luz.
Dificuldade para dirigir à noite.
Cores menos vivas.
Mudanças frequentes no grau dos óculos.

Além de comprometer a qualidade de vida, a redução da visão também aumenta o risco de quedas, fraturas e perda da independência entre os idosos.

A cirurgia pode corrigir outros problemas de visão?

Além de substituir o cristalino opaco por uma lente artificial transparente, a cirurgia da catarata pode corrigir outros erros refrativos.

Dependendo da avaliação médica e do tipo de lente escolhido, é possível reduzir ou corrigir graus de miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia, conhecida popularmente como vista cansada.

Em muitos casos, os pacientes passam a enxergar melhor do que antes da catarata, mesmo quando usavam óculos.

Entenda mais sobre a catarata! Foto: Magnific

A escolha da lente é individual

Nem todas as lentes oferecem os mesmos resultados. Atualmente existem modelos monofocais, de foco estendido (EDOF) e trifocais, cada um indicado para diferentes perfis e necessidades.

A decisão leva em consideração exames detalhados, como biometria e avaliação da córnea e da retina, além dos hábitos de vida do paciente. Quem dirige frequentemente à noite, por exemplo, pode precisar de uma estratégia diferente daquela indicada para quem passa grande parte do dia lendo ou utilizando computador.

Também existem situações em que determinadas lentes não são recomendadas, como em pacientes com doenças da retina, glaucoma avançado ou alterações importantes da córnea.

Quanto antes, melhor

A catarata não precisa estar muito avançada para ser tratada. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores são as chances de realizar uma cirurgia menos complexa e recuperar a qualidade da visão antes que a doença comprometa a rotina e a segurança do paciente.

Resumo:

A catarata afeta cerca de um quarto dos brasileiros com mais de 50 anos e continua sendo a principal causa de cegueira tratável. Hoje, a cirurgia deve ser realizada quando a visão começa a interferir nas atividades diárias, sem necessidade de esperar a doença avançar.