A corrida de rua ganhou cada vez mais espaço na rotina de muitas mulheres, mas, para quem convive com endometriose, alguns movimentos podem trazer desconforto. A prática de exercícios continua sendo importante para a saúde, porém precisa respeitar os sinais do corpo e o estágio da doença.
Segundo o cirurgião ginecológico e pesquisador Igor Chiminacio, a atividade física não deve ser abandonada por pacientes com endometriose. “O problema não é se exercitar, mas insistir em modalidades que aumentam a dor em uma paciente que apresenta comprometimento das estruturas profundas pela endometriose”, explica o especialista.
A relação entre impacto e desconforto está ligada à anatomia da pelve. De acordo com a chamada Teoria do Polvo (Octopus Concept), desenvolvida pelo médico e apresentada em publicação científica, o útero é sustentado por estruturas de colágeno chamadas paramétrios.
Quando essas regiões são afetadas pela endometriose, elas podem ficar mais sensíveis aos movimentos repetitivos. Durante uma corrida ou exercícios com saltos, o deslocamento constante do útero pode aumentar a tração sobre tecidos inflamados, favorecendo o surgimento da dor.
Endometriose pode piorar com exercícios de alto impacto?
A resposta depende de cada caso. A endometriose profunda, uma das formas da doença, pode comprometer estruturas próximas ao útero e tornar algumas atividades mais desconfortáveis durante períodos de sintomas intensos.
Isso não significa que corrida, jump ou outros exercícios de impacto estejam proibidos. Porém, mulheres com dor ativa podem precisar reduzir a intensidade ou trocar temporariamente essas modalidades por opções mais confortáveis.
Algumas alternativas costumam ser melhor toleradas, principalmente em fases de maior sensibilidade:
Caminhada: ajuda a manter o movimento do corpo com menor impacto sobre a região pélvica.
Pilates: trabalha força, mobilidade e controle corporal com exercícios adaptados.
Fortalecimento muscular orientado: contribui para uma rotina ativa, respeitando os limites individuais.
Alongamentos e exercícios funcionais adaptados: podem auxiliar na redução da rigidez e do desconforto.
A escolha do treino deve considerar os sintomas, a intensidade da dor e a avaliação médica. Afinal, a prática de atividade física pode ser uma aliada no controle do bem-estar quando acontece de forma personalizada.
Sinais de endometriose que vão além da cólica. Foto: FreePik
Como treinar no inverno tendo endometriose?
Durante os dias frios, outro cuidado importante envolve preparar o corpo antes do exercício. Segundo Chiminacio, começar uma atividade física com a musculatura fria pode aumentar a sensação de rigidez e piorar o desconforto em mulheres sintomáticas.
Um aquecimento simples antes do treino, alguns minutos de alongamento e a manutenção do corpo aquecido podem ajudar na adaptação. Além disso, a dor persistente merece atenção e não deve ser tratada como algo normal.
“Ela pode ser um indicativo de que a atividade precisa ser adaptada ou de que a doença ainda não está adequadamente tratada”, orienta o especialista.
A endometriose não precisa afastar a mulher dos exercícios. O mais importante é encontrar uma modalidade compatível com cada fase da condição, garantindo que o movimento continue trazendo benefícios para a saúde sem aumentar os sintomas.
Resumo: Endometriose pode causar dor durante exercícios de alto impacto quando a doença compromete estruturas profundas da pelve. A atividade física continua sendo recomendada, mas precisa ser adaptada ao quadro de cada mulher. Caminhada, pilates e fortalecimento orientado podem ser alternativas em períodos de maior sensibilidade. O aquecimento antes do treino também ajuda a reduzir desconfortos.
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