Inteligência artificial ou inteligência emocional: o que vai definir o advogado do futuro?

A inteligência artificial já está transformando a rotina da advocacia. Ferramentas capazes de pesquisar informações, produzir documentos, organizar tarefas e auxiliar na gestão dos escritórios ganham espaço e prometem tornar o trabalho jurídico mais ágil. Mas, diante dessa transformação, surge uma pergunta que vai além da tecnologia: como manter o equilíbrio emocional e a qualidade de vida em uma carreira cada vez mais exigente?

Essa é uma das reflexões propostas pelo jurista Huendel Rolim no livro Advogado de Si Mesmo, que convida profissionais do Direito a olhar para além dos resultados financeiros e compreender como emoções, escolhas, comportamentos e propósitos influenciam a trajetória profissional.

Antes de defender o mundo, olhar para si

Com o subtítulo “Antes de defender o mundo, vença o julgamento dentro de você”, a obra parte da ideia de que o advogado também precisa aprender a cuidar da própria trajetória. Para Huendel Rolim, uma carreira de sucesso não deve ser construída à custa da identidade, das relações pessoais ou do bem-estar.

“Assuma a defesa da sua própria vida e construa uma carreira que não custe quem você é”, resume a proposta apresentada pelo autor.

Entre os temas abordados estão a identificação de padrões emocionais capazes de interferir nas decisões profissionais, a substituição da culpa paralisante pela autorresponsabilidade e o desenvolvimento da inteligência emocional para melhorar relacionamentos e escolhas.

A reflexão dialoga diretamente com questões de bem-estar. Uma agenda lotada, a pressão por resultados, a necessidade constante de conquistar clientes e a responsabilidade pela administração de um escritório podem gerar uma rotina na qual o profissional passa a dedicar cada vez menos espaço para si mesmo.

Quando o sucesso começa a cobrar um preço

Para Huendel Rolim, o conceito de sucesso também precisa ser revisitado. Mais clientes, maior faturamento, reconhecimento e crescimento profissional podem representar conquistas importantes, mas não necessariamente significam qualidade de vida.

O alerta está no momento em que o trabalho começa a ocupar todos os espaços da vida. O escritório cresce, a agenda se intensifica e as responsabilidades aumentam, enquanto descanso, convivência familiar, lazer e autocuidado ficam em segundo plano.

Nesse contexto, desenvolver inteligência emocional significa também reconhecer limites, compreender padrões de comportamento e assumir responsabilidade pelas próprias escolhas.

A proposta de Advogado de Si Mesmo é estimular uma reflexão sobre o tipo de carreira que cada profissional deseja construir e sobre aquilo que pretende deixar como legado. O sucesso, nessa perspectiva, deixa de ser medido exclusivamente pelo que foi acumulado e passa a considerar também propósito, impacto e realização pessoal.

Tecnologia a serviço do profissional

A discussão ganha ainda mais relevância diante do avanço da inteligência artificial. Huendel Rolim não apresenta a tecnologia como inimiga do advogado, mas como uma ferramenta que pode ampliar sua capacidade de atuação.

Ao automatizar determinadas tarefas e reduzir o tempo dedicado a atividades operacionais, a IA pode permitir que o profissional concentre mais energia em competências que dependem de experiência, criatividade, relacionamento, julgamento e compreensão humana.

A questão, portanto, não é escolher entre inteligência artificial e inteligência emocional. É compreender como as duas podem coexistir.

Produzir mais não significa necessariamente viver melhor. Para o autor, a transformação tecnológica precisa estar acompanhada de uma reflexão sobre limites, escolhas e propósito.

A Ruptura leva o debate para a prática

Essa discussão também estará presente no evento A Ruptura, promovido por Huendel Rolim nos dias 18 e 19 de agosto, em São Paulo. O encontro reúne advogados para discutir mudanças na gestão dos escritórios e os impactos de tecnologia, vendas, posicionamento e comportamento na atividade jurídica.

Diferentemente de um congresso tradicional, a proposta é trabalhar situações concretas da rotina profissional, incluindo precificação, escolha de clientes, geração de demanda, posicionamento e utilização da inteligência artificial.

A programação contará ainda com Vinícius Davi, especialista em IA aplicada a negócios e autor de IA para Líderes, além de Guto Galamba e Dani Pires.

A inteligência artificial terá espaço específico no evento, com ferramentas e agentes voltados à otimização de tarefas e à redução de custos. Mas a provocação central permanece humana: de que adianta produzir mais se a carreira deixa de fazer sentido para quem a construiu?

Uma carreira que preserve quem está por trás do profissional

É justamente nessa intersecção que Advogado de Si Mesmo e A Ruptura, de Huendel Rolim, se encontram. Enquanto o evento propõe repensar a estrutura e o funcionamento dos escritórios, o livro direciona o olhar para o próprio profissional.

Em um mercado cada vez mais tecnológico, talvez o diferencial não esteja apenas em saber utilizar novas ferramentas, mas em saber quem se é, quais limites precisam ser respeitados e que tipo de vida se deseja construir.

O livro está em pré-venda até 10 de setembro. Já A Ruptura é voltado a advogados que possuem carteira de clientes, incluindo profissionais que atuam sozinhos e aqueles que trabalham com equipes. As inscrições são gratuitas e passam por seleção.