Celular, tablet e televisão fazem parte da rotina dos mais jovens cada vez mais cedo. No entanto, neste Dia Nacional da Infância, celebrado em 24 de agosto, novas recomendações publicadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Academia Americana de Pediatria (AAP) acendem um alerta. Nesse sentido, limitar apenas as horas em frente às telas deixou de ser suficiente para proteger o desenvolvimento infantil.
A AAP destaca que é preciso analisar o tipo de conteúdo acessado, o espaço que a tecnologia ocupa e os próprios recursos das plataformas para reter a atenção dos pequenos. Algoritmos de recomendação, reprodução automática e mecanismos de recompensa dificultam o controle exclusivo dentro de casa.
Sobre o tema, a pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn, especialista em Neurociência e Desenvolvimento Infantil, presidente do Núcleo de Estudo da Criança com Deficiência da SPSP e membro da SBP, alerta: “É urgente discutirmos formas de proteger crianças e adolescentes no ambiente digital, porque as plataformas evoluíram e hoje utilizam recursos que estimulam o uso cada vez mais frequente e prolongado”
O impacto nas relações e na rotina diária
Para a especialista, a mudança exige um olhar mais amplo das famílias. Afinal, a tecnologia não pode ocupar o lugar de vivências essenciais para o crescimento saudável. “Recomendações que antes passavam por orientar apenas o tempo de uso não são mais suficientes. Hoje, precisamos considerar também o conteúdo acessado, a forma como as plataformas estimulam o uso e o impacto que as telas têm na rotina e nas relações das crianças”
Na prática, pais e responsáveis devem observar se o ambiente virtual está substituindo brincadeiras ao ar livre, atividades físicas e o diálogo diário: “O mundo digital pode aproximar, quando usado junto, com orientação e vínculo, ou afastar, quando substitui presença, diálogo e interação real”
Diretrizes no Brasil: aprendizado x uso recreativo
No Brasil, as orientações atualizadas pela SBP reforçam que a tecnologia possui valor pedagógico quando usada com objetivos claros. Por outro lado, o uso recreativo em excesso está associado a problemas como ansiedade, depressão, sedentarismo, obesidade e distúrbios do sono.
Educação Infantil: A recomendação é evitar telas, restringindo o uso a situações pedagógicas específicas com acompanhamento do educador;
Ensino Fundamental: A orientação é criar regras transparentes, alinhando a idade dos alunos à finalidade pedagógica e à segurança online.
O papel das famílias no equilíbrio digital
Contudo, o objetivo das novas diretrizes não é demonizar a tecnologia, mas sim instrumentalizar os pais para oferecerem alternativas atrativas fora do mundo virtual.
Nesse contexto, a Dra. Anna Dominguez Bohn ressalta a importância de identificar sinais de mudança de comportamento: “Precisamos instrumentalizar as famílias. É importante oferecer outras formas de interação, fora das telas, e saber identificar sinais de alerta quando algo não vai bem”
Em suma, a intenção é criar uma convivência consciente em que os dispositivos eletrônicos atuem como aliados do aprendizado, e não como um obstáculo para o bem-estar: “A mensagem central não é proibir telas, mas redesenhar a forma como elas fazem parte da infância. As telas devem promover apoio ao desenvolvimento emocional, social e cognitivo, e não limitá-lo”






