Queda de cabelo pode começar no prato; veja sinais que merecem atenção 

A queda de cabelo pode aparecer como um sinal de que o organismo está passando por alguma mudança importante. Quando os fios começam a cair de forma mais intensa, afinam ou perdem volume, a alimentação pode estar entre os fatores envolvidos — especialmente após dietas restritivas ou períodos de perda de peso acelerada.

Segundo a médica tricologista Bianca Corso, o padrão que mais chama atenção nesses casos é a queda difusa, distribuída por todo o couro cabeludo. “Alguns sinais podem levantar essa suspeita, principalmente quando há afinamento dos fios, perda de volume e dificuldade de crescimento”, explica. Alterações nas unhas e na pele também podem aparecer, mas não confirmam, sozinhas, uma deficiência nutricional.

Um quadro bastante associado a essas situações é o eflúvio telógeno, no qual mais fios entram precocemente na fase de queda. Bianca afirma que ele pode surgir depois de restrições alimentares importantes, dietas muito rígidas ou perda rápida de peso. Como a queda costuma aparecer semanas ou até meses depois, nem sempre a pessoa relaciona o problema à mudança na alimentação.

Quais nutrientes podem estar ligados à queda de cabelo?

O nutricionista Rodrigo Moreira lembra que o próprio fio depende de proteína para se formar. “O fio de cabelo é basicamente feito de queratina, que é uma proteína, então a gente pode dizer que a proteína é o bloco construtor do cabelo”, afirma.

Além da proteína, ferro, zinco, vitamina D, vitamina B12 e folato participam de processos ligados ao crescimento e à qualidade dos fios. Por isso, uma alimentação pouco variada pode aumentar o risco de ingestão insuficiente de nutrientes.

Rodrigo chama atenção para dietas repetitivas, com pouca variedade de vegetais, frutas e fontes de proteína. Nesses casos, apostar em vitaminas para cabelo sem investigação não corrige necessariamente a causa e ainda pode mascarar o problema.

Emagrecimento rápido pode causar queda dos fios?

Pode contribuir. Dietas de muito baixa caloria e restrições intensas podem fazer o organismo interpretar o momento como um período de escassez. Isso favorece o eflúvio telógeno, especialmente quando a ingestão de proteína, ferro, zinco e vitaminas cai junto com as calorias.

O mesmo cuidado vale para quem usa medicamentos para perda de peso. Rodrigo cita semaglutida, tirzepatida e liraglutida e explica que a redução importante do apetite pode levar a uma alimentação insuficiente. O ponto, porém, não é atribuir a queda diretamente ao medicamento, mas observar o efeito do emagrecimento rápido e da menor ingestão de nutrientes.

“Quando a ingestão alimentar cai drasticamente, é preciso garantir que o pouco que a pessoa está comendo tenha densidade nutricional suficiente”, orienta o nutricionista.

Queda de cabelo; veja sinais que merecem atenção  – Crédito: pexels/kaboompics.com

Quando procurar ajuda e evitar vitaminas para cabelo por conta própria?

Nem toda queda tem origem nutricional. Alterações hormonais, estresse físico ou emocional, infecções, cirurgias e alopecia androgenética também podem provocar perda dos fios. Por isso, Bianca afirma que o diagnóstico considera histórico clínico, exame do couro cabeludo, tricoscopia e, quando necessário, exames laboratoriais.

Hemograma, ferritina, vitamina D, vitamina B12 e zinco podem entrar na investigação, dependendo do caso. Rodrigo alerta: “Suplementar sem deficiência não traz benefício e pode trazer risco”. Excesso de vitamina A, zinco e selênio, por exemplo, também pode prejudicar cabelos e unhas.

Observar os fios junto com outros sinais do corpo ajuda a entender quando algo merece investigação. “O cabelo conta uma história, mas precisamos investigar essa história”, resume Bianca. Com alimentação equilibrada, avaliação individual e tratamento direcionado, é possível agir na causa e preservar a saúde capilar.

Resumo: A queda de cabelo difusa pode surgir após dietas restritivas, deficiência de nutrientes ou perda acelerada de peso. Proteínas, ferro, zinco e vitaminas participam da formação e do crescimento dos fios. O eflúvio telógeno pode aparecer semanas ou meses após períodos de restrição. A suplementação sem deficiência comprovada pode não ajudar e ainda trazer riscos. A investigação clínica permite diferenciar causas nutricionais de outros tipos de perda capilar.

Leia também:

Dor na barriga não é tudo igual e o local do incômodo faz diferença