Tem cenas que atravessam gerações: a avó colocando água para ferver quando uma criança reclama de dor de barriga, a mãe preparando chá de erva-doce depois de um almoço pesado ou aquela vizinha que aparece com uma xícara de camomila nas mãos quando alguém está com as emoções à flor da pele.
Passados de geração em geração, os chás seguem presentes na rotina de quem busca aliviar pequenos desconfortos, desacelerar depois de um dia corrido ou simplesmente criar um momento de pausa. Mas, junto com a tradição popular, também surgem dúvidas sobre o que realmente funciona e até que ponto o natural é sinônimo de seguro.
O que a ciência já sabe sobre os chás medicinais?
Muito antes dos laboratórios, as plantas medicinais já faziam parte da rotina das famílias. E, em muitos casos, a ciência chegou depois para investigar aquilo que já era usado há décadas. Mas hoje parte do conhecimento popular já encontra respaldo em pesquisas.
“Alguns chás possuem compostos bioativos estudados cientificamente e apresentam benefícios reconhecidos para sintomas específicos”, explica o farmacêutico homeopata Jamar Tejada em entrevista à AnaMaria.
“Cada planta possui compostos diferentes, mecanismos de ação próprios e níveis variados de comprovação científica”, complementa Amanda Figueiredo, nutricionista pós-graduada em Saúde da Mulher. Ou seja, enquanto algumas ervas já têm estudos mais consistentes, outras seguem mais ligadas ao conhecimento popular.
O gengibre, por exemplo, apresenta boas evidências para náuseas e desconfortos digestivos. Já a camomila ganhou destaque pelos possíveis efeitos relacionados ao relaxamento e à qualidade do sono. O chá-verde, por sua vez, passou a ser estudado por conta das catequinas antioxidantes presentes na planta.
5 chás medicinais para ter sempre à mão
Camomila
Conhecida pelo efeito calmante leve, a camomila costuma ser associada ao relaxamento, melhora da qualidade do sono e alívio de desconfortos digestivos. É um dos chás mais estudados quando o assunto é ansiedade leve e descanso.
Gengibre
Muito utilizado para náuseas, má digestão e desconfortos gastrointestinais, o gengibre também possui propriedades anti-inflamatórias. Segundo Amanda, ele apresenta boas evidências científicas para sintomas digestivos.
Chá de Erva Cidreira com Gengibre – Getty Images
Hortelã-pimenta
A hortelã-pimenta pode ser usada para aliviar gases, sensação de estufamento e desconfortos intestinais leves. O efeito refrescante da planta também costuma trazer sensação de bem-estar digestivo.
Chá-verde
Rico em catequinas antioxidantes, o chá-verde vem sendo estudado por possíveis benefícios metabólicos e cardiovasculares. Apesar disso, exige cautela por conta da cafeína presente na bebida.
Hibisco
O hibisco é conhecido pela ação antioxidante e pode contribuir discretamente para a pressão arterial. O consumo, porém, também deve ser moderado.
Tem jeito certo de preparar?
Tem, sim! O modo de preparo influencia diretamente nos compostos que serão liberados na água e, consequentemente, nos efeitos do chá.
Para folhas e flores, o ideal é fazer infusão. É o caso da camomila, da hortelã e do chá-verde. A água deve ser aquecida até começar a levantar pequenas bolhas e, depois, despejada sobre a erva. O recipiente deve permanecer tampado por alguns minutos.
Já raízes, sementes e cascas precisam de decocção, uma fervura controlada por mais tempo. O gengibre e a erva-doce entram nessa categoria.
E atenção: ferver folhas delicadas por tempo excessivo, misturar várias plantas sem orientação e consumir preparações armazenadas por muitas horas pode comprometer a qualidade e eficiência do chá.
Natural não significa livre de riscos
O consumo excessivo ou sem orientação pode trazer efeitos adversos. “Plantas têm princípios ativos e podem gerar efeitos fisiológicos importantes”, alerta Amanda.
Gestantes, crianças, idosos e pessoas que usam medicamentos contínuos estão entre os grupos que devem ter mais cautela. Isso porque alguns chás podem interferir na coagulação, na pressão arterial, na glicemia e até na metabolização de medicamentos. “Natural não significa necessariamente seguro”, reforça Jamar.
Além disso, segundo os especialistas, fatores como dose, frequência de consumo, preparo e condição clínica da pessoa influenciam diretamente os efeitos percebidos.
Entre os sinais de alerta estão:
Náuseas persistentes;
Tontura;
Palpitações;
Sonolência excessiva;
Reações alérgicas;
Alterações na pressão arterial.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1533, de 7 de agosto de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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