Dormência nas pernas pode aparecer depois de permanecer muito tempo na mesma posição, mas também pode estar relacionada a alterações nos nervos, na coluna, no metabolismo ou na circulação. Saiba quando o sintoma merece investigação médica
Sentir dormência nas pernas de vez em quando é algo relativamente comum e pode acontecer após passar bastante tempo sentada, cruzar as pernas ou manter o corpo em uma posição que comprima temporariamente algum nervo. Nesses casos, a sensibilidade costuma voltar depois que a pessoa muda de posição e movimenta o membro. Porém, a dormência nas pernas também pode estar associada a diferentes condições de saúde e, quando persiste, se repete ou aparece junto de outros sintomas, precisa ser investigada.
A dormência ocorre quando há alguma alteração na transmissão das informações entre determinada região do corpo e o sistema nervoso. Dependendo da origem, a pessoa pode perceber perda parcial ou completa da sensibilidade, formigamento, sensação de agulhadas, queimação ou até dificuldade para perceber temperatura e dor.
Por que as pernas podem ficar dormentes?
Uma das situações mais simples é a compressão temporária de um nervo. Ficar muito tempo sentada ou em uma posição que pressione determinadas regiões pode interferir na transmissão dos sinais nervosos. Quando a pressão é retirada, a sensação tende a desaparecer gradualmente.
Entretanto, nem toda dormência tem relação com a postura. Alterações na coluna também podem comprimir estruturas nervosas e provocar sintomas que chegam às pernas. Hérnia de disco, por exemplo, pode afetar as raízes dos nervos e causar dor, formigamento ou perda de sensibilidade. A estenose da coluna, caracterizada pelo estreitamento do canal vertebral, também pode exercer pressão sobre os nervos.
Outro grupo importante de causas envolve as neuropatias, que são alterações que afetam os nervos. O diabetes está entre as condições associadas a esse problema. Na neuropatia diabética, os sintomas podem começar nos pés e incluir dormência, formigamento, queimação e redução da sensibilidade, muitas vezes atingindo os dois lados do corpo.
Falta de vitaminas também pode causar o sintoma?
Sim. Algumas deficiências nutricionais podem prejudicar o funcionamento dos nervos. A deficiência de vitamina B12, por exemplo, está entre as condições que podem provocar alterações de sensibilidade.
Por isso, quando a dormência é recorrente, não é indicado simplesmente começar a tomar suplementos por conta própria. A investigação deve considerar o conjunto de sintomas, o histórico de saúde e, quando necessário, exames que ajudem a identificar a origem do problema.
Além das deficiências vitamínicas, doença renal, consumo excessivo de álcool, exposição a determinadas toxinas e alguns medicamentos também podem estar relacionados a alterações nos nervos. Alguns tratamentos, como determinados tipos de quimioterapia, podem provocar neuropatia.
E o estresse, pode provocar dormência?
Alterações emocionais também podem estar acompanhadas de formigamento ou dormência. Em situações de ansiedade intensa, por exemplo, algumas pessoas passam a respirar mais rapidamente, o que pode favorecer sensações anormais nas extremidades.
Isso não significa, porém, que toda dormência de origem desconhecida deva ser atribuída à ansiedade. Se o sintoma for frequente, persistente ou estiver acompanhado de outras alterações físicas, é importante buscar avaliação profissional para que outras possíveis causas sejam consideradas.
Problemas de circulação podem estar envolvidos?
Alterações no sistema circulatório também entram na lista de possibilidades. Quando há comprometimento do fluxo sanguíneo, podem surgir sintomas nas pernas, embora a apresentação varie de acordo com a condição.
Entre os problemas que precisam ser considerados estão doenças vasculares, incluindo alterações arteriais e trombose venosa profunda. A trombose merece atenção porque um coágulo em uma veia pode provocar complicações graves, inclusive embolia. O Ministério da Saúde orienta procurar atendimento médico diante de sintomas sugestivos da condição.
É importante não tentar identificar a causa apenas pela sensação de dormência. Inchaço, alterações na pele, dor e outros sinais associados precisam ser avaliados dentro do contexto clínico.
Dormência nas pernas é sempre perigosa?
Não. Em muitas situações, o episódio é temporário e está relacionado à compressão momentânea de um nervo, principalmente quando aparece depois de ficar muito tempo em uma determinada posição.
A preocupação aumenta quando o sintoma passa a ser frequente, não desaparece, piora progressivamente ou interfere na rotina. Dificuldade para caminhar, perda de força, alterações importantes da sensibilidade e dor associada são exemplos de situações que justificam avaliação médica.
A intensidade do sintoma, sozinha, também não determina sua gravidade. O momento em que ele surgiu, a região afetada, sua duração e a presença de outros sinais são informações importantes para entender o que pode estar acontecendo.
Quando a dormência exige atendimento imediato?
Algumas características tornam a dormência uma situação de urgência. Uma delas é o início repentino, principalmente quando o sintoma aparece junto de fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, alteração da visão ou dificuldade para se movimentar.
Esses sinais podem estar relacionados a um acidente vascular cerebral e exigem atendimento de emergência. O Ministério da Saúde inclui suspeitas de AVC entre as situações que justificam acionamento do SAMU, pelo telefone 192.
Também é necessário procurar atendimento rapidamente quando a dormência vem acompanhada de perda de controle da urina ou das fezes, dificuldade para urinar, fraqueza nas pernas ou perda de sensibilidade na região da virilha e dos genitais. Esse conjunto de sintomas pode indicar uma alteração grave envolvendo a medula ou os nervos e não deve ser ignorado.
Outra situação que merece atenção é quando a dormência ou a fraqueza começam nas pernas e avançam progressivamente para outras partes do corpo. A síndrome de Guillain-Barré, por exemplo, pode começar com dormência ou queimação nos membros inferiores e evoluir para fraqueza muscular progressiva. O Ministério da Saúde recomenda avaliação médica urgente diante de sintomas compatíveis.
Como descobrir a causa da dormência?
A investigação começa pela avaliação clínica. O profissional de saúde costuma considerar quando o sintoma começou, quanto tempo dura, se afeta uma ou as duas pernas, se existe dor, fraqueza ou alteração do equilíbrio e se há fatores que possam estar relacionados ao quadro.
O exame físico também ajuda a avaliar a sensibilidade, a força muscular e o funcionamento dos nervos. Dependendo das características apresentadas, podem ser solicitados exames complementares.
A eletroneuromiografia, por exemplo, pode ajudar a verificar o funcionamento dos nervos e dos músculos. Exames de imagem também podem ser utilizados quando existe suspeita de alterações estruturais. A ressonância magnética pode contribuir para investigar problemas na coluna e possíveis compressões nervosas. Já exames de ultrassom com avaliação vascular podem ser utilizados para analisar a circulação dos membros inferiores.
A escolha do exame depende da suspeita clínica. Não existe um único teste capaz de identificar todas as possíveis causas de dormência.
O que fazer quando a perna fica dormente?
Quando a dormência aparece após permanecer muito tempo em uma posição e desaparece rapidamente depois da mudança de postura, levantar, caminhar um pouco e movimentar a perna pode ajudar a recuperar a sensibilidade.
No dia a dia, também é recomendável evitar longos períodos na mesma posição e manter uma rotina de atividade física adequada às condições individuais. Pessoas com diabetes devem manter o acompanhamento da doença, já que o controle da condição é importante para reduzir o risco de complicações neurológicas.
Por outro lado, não é recomendado tentar tratar uma dormência persistente apenas com medidas caseiras. Se o sintoma continuar aparecendo ou vier acompanhado de dor, fraqueza, dificuldade para caminhar ou outras alterações, a avaliação médica é o caminho mais seguro.
A dormência nas pernas, portanto, pode ter desde uma explicação simples e passageira até causas que precisam de investigação e tratamento. Observar a frequência, a duração e os sintomas que aparecem junto dela ajuda a determinar quando é hora de procurar atendimento.
Resumo:
Dormência nas pernas pode ser provocada por uma posição prolongada, compressão de nervos, alterações na coluna, diabetes, deficiências vitamínicas e problemas circulatórios, entre outras causas. Quando o sintoma é persistente, recorrente ou aparece com fraqueza, dificuldade para caminhar ou outros sinais neurológicos, é importante buscar avaliação médica.
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