Novo remédio para enxaqueca age antes das crises e amplia opções de tratamento 

Quem convive com enxaqueca sabe como a dor pode atrapalhar o trabalho, os compromissos e os momentos em família. Quando as crises se repetem, o cuidado precisa ir além do alívio imediato. A aprovação de uma nova alternativa preventiva coloca essa conversa em evidência.

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o atogepanto, medicamento oral para prevenir a doença em adultos com pelo menos quatro episódios mensais. Ele amplia as possibilidades de tratamento, mas exige avaliação individual. 

“A finalidade da prevenção não é interromper uma crise imediatamente, e sim diminuir a frequência e a intensidade das crises ao longo do tempo”, explica Suzana Guimarães, professora do curso de Farmácia do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF).

Como o novo remédio previne a enxaqueca?

O atogepanto atua sobre uma via relacionada ao CGRP, sigla de peptídeo relacionado ao gene da calcitonina. Essa substância participa da transmissão da dor e dos mecanismos envolvidos na enxaqueca. A alternativa contempla a prevenção das formas episódica e crônica.

Na prática, o paciente mantém o tratamento preventivo de forma contínua, inclusive nos períodos sem dor. Já os medicamentos para aliviar uma crise entram em cena quando ela começa. São objetivos diferentes, que precisam ficar claros durante a orientação profissional.

A novidade amplia as opções para quem não respondeu ou não tolerou outros preventivos. Isso, porém, não significa que todos devam trocar de medicamento. O profissional considera o histórico clínico, a frequência das crises e os outros remédios utilizados antes de definir a conduta.

A busca por alívio pode virar um ciclo de automedicação

Segundo Suzana, o consumo excessivo pode contribuir para a cefaleia por uso excessivo de medicamentos. Nesse quadro, as dores podem aparecer mais vezes e ficar mais difíceis de controlar.

A automedicação favorece um ciclo desgastante: a pessoa toma mais remédios para buscar alívio, enquanto o excesso ajuda a manter ou piorar a dor. Misturar medicamentos sem orientação também aumenta o risco de interações e efeitos adversos.

Além disso, esse hábito pode atrasar a identificação da causa das dores ou o início de uma prevenção adequada. Crises recorrentes merecem avaliação profissional, especialmente quando aumentam de frequência ou intensidade.

Novo remédio para enxaqueca age antes das crises e amplia opções de tratamento – Crédito: FreePik

Acompanhamento ajuda a avaliar resultados e efeitos adversos 

O atogepanto pode causar náusea, constipação, fadiga ou sonolência. Suzana também destaca o acompanhamento de possíveis alterações da pressão arterial e sinais de hipersensibilidade. Reações persistentes ou incapacitantes precisam chegar ao conhecimento do profissional de saúde.

“É importante que o paciente informe ao médico e ao farmacêutico todos os medicamentos que utiliza, incluindo fitoterápicos e suplementos”, orienta a professora.

Alguns cuidados complementam esse acompanhamento:

Manter um diário das crises: registrar frequência, intensidade, duração e possíveis gatilhos ajuda a acompanhar a evolução.
Observar o sono e o estresse: cuidar desses aspectos pode complementar o tratamento medicamentoso.
Anotar o uso dos remédios: informar a frequência de consumo permite identificar excessos e discutir ajustes com o profissional.

A nova opção amplia as possibilidades de cuidado, mas a escolha precisa respeitar as necessidades de cada pessoa. Com acompanhamento, é possível avaliar a resposta ao tratamento, esclarecer dúvidas e ajustar a estratégia sem tomar decisões por conta própria.

Resumo: A enxaqueca ganha uma alternativa preventiva oral com a aprovação do atogepanto pela Anvisa. A escolha exige avaliação individual e acompanhamento profissional. O uso excessivo de analgésicos pode aumentar a frequência das dores, enquanto o diário das crises ajuda a acompanhar o tratamento.

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