Você emagrece, mas a gordura vai parar onde? A ciência explica esse caminho 

A calça fica mais folgada, a cintura muda e a balança registra alguns quilos a menos. Quem acompanha um processo de emagrecimento costuma reconhecer esses sinais. Mas o destino da gordura corporal raramente entra na conversa: afinal, para onde vai aquilo que deixa de aparecer no espelho?

A expressão “queimar gordura” ajuda a imaginar o organismo usando suas reservas, mas também abre espaço para confusão. Essa transformação envolve etapas químicas e caminhos de saída bem definidos. Entender o percurso ajuda, inclusive, a olhar com mais cuidado para algumas promessas de perda de peso.

A gordura corporal sai principalmente pela respiração

A principal saída fica nos pulmões. Quando o organismo utiliza gordura como combustível, as reações produzem gás carbônico e água. O sangue transporta o gás até os pulmões, e nós o eliminamos ao expirar. Já a água entra na circulação e pode sair, por exemplo, pela urina e pelo suor.

Em um artigo da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, os pesquisadores Ruben Meerman e Andrew Brown detalham o processo. Eles explicam que, a cada 10 quilos de gordura metabolizada, aproximadamente 8,4 quilos deixam o corpo como parte do gás carbônico e 1,6 quilo integra a água. Essa proporção descreve o destino da massa da gordura, não de todo peso perdido na balança. 

O caminho das reservas até a produção de energia

Antes de sair, essa gordura cumpre funções importantes. Ela ajuda a proteger órgãos e mantém uma reserva energética. O organismo guarda parte desse estoque sob a pele, na gordura subcutânea, e outra parte em regiões mais profundas, ao redor dos órgãos, na chamada gordura visceral.

As células adiposas armazenam gordura na forma de triglicerídeos. Quando o corpo precisa mobilizar essas reservas, sinais hormonais estimulam a lipólise, processo que divide os triglicerídeos em ácidos graxos e glicerol. É o começo da utilização desse combustível, e não sua eliminação imediata.

Dentro das células, estruturas chamadas mitocôndrias participam do aproveitamento dos ácidos graxos. Uma etapa, conhecida como beta-oxidação, gera moléculas que seguem para outras reações. Esse conjunto de processos permite produzir ATP, que funciona como uma espécie de moeda de energia para as atividades do organismo.

Parece uma aula de química, mas a distinção importa: a gordura fornece energia durante sua transformação; sua matéria precisa seguir um destino. O gás carbônico surge nas etapas seguintes do metabolismo, e não diretamente na beta-oxidação. Por isso, resumir tudo a “a gordura vira energia” deixa parte da história de fora.

Respirar mais rápido não acelera o emagrecimento

Saber dessa participação dos pulmões pode sugerir um atalho, mas forçar a respiração não aumenta a queima de gordura. Os autores alertam que respirar além da necessidade pode causar tontura ou desmaio. A expiração elimina o gás que o metabolismo produziu; ela não obriga o organismo a consumir suas reservas. 

A gordura passa por transformações antes de deixar o organismo, principalmente pela respiração  – Crédito: Freepik

Para reduzir o estoque de gordura corporal, o balanço entre energia consumida e gasta ao longo do tempo continua relevante. A atividade física aumenta o gasto energético, e a alimentação participa desse equilíbrio. A queima de gordura integra esse funcionamento, mas não resume todos os fatores da perda de peso. O cuidado precisa considerar a saúde e as necessidades de cada pessoa.

Resumo: A gordura que deixa as medidas tem um destino: a maior parte sai pelos pulmões após transformações no organismo. Respirar mais rápido, porém, não acelera esse processo.

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