Uma alteração percebida no próprio corpo levou a cirurgiã-dentista e empresária Jessica Arcanjo a descobrir um câncer de mama aos 31 anos. Em setembro de 2024, ela sentiu uma dor na mama esquerda e, ao tocar a região, identificou um nódulo. A investigação confirmou a doença e deu início a uma sequência de tratamentos que incluiu quimioterapia, imunoterapia, cirurgia e radioterapia.
A experiência de Jessica, que tinha um filho pequeno na época do diagnóstico, chama atenção para uma questão importante durante o Outubro Rosa: a presença de uma alteração nas mamas deve ser investigada independentemente da idade. O rastreamento de rotina e a investigação de sintomas são situações diferentes, e a ausência de indicação para uma mamografia periódica não significa que um sintoma deva ser ignorado.
Diagnóstico que mudou a rotina
O tratamento de Jessica envolveu 16 sessões de quimioterapia, imunoterapia, cirurgia e radioterapia. Em maio de 2025, ela passou pela retirada da mama esquerda e dos linfonodos da axila, com reconstrução imediata por expansor.
A experiência também foi registrada por ela no livro autobiográfico “Mãe, você está careca?”, publicado em outubro de 2026. Na obra, Jessica relata as diferentes etapas do tratamento e os impactos que a doença teve sobre sua rotina e sua relação com a família.
“O processo de enfrentar um câncer exige que a gente encare a realidade de frente, dia após dia. A medicina, os tratamentos e os médicos foram fundamentais para a minha cura, mas o apoio da minha família e a minha fé me deram a sustentação emocional necessária para não desabar. Se a minha história puder encorajar outra mulher a não negligenciar os sinais do próprio corpo e a buscar ajuda a tempo, todo o propósito deste livro já terá sido alcançado”, conta.
Como falar sobre o câncer com uma criança?
Além dos desafios relacionados ao tratamento, Jessica precisou lidar com uma questão comum a muitos pais e mães que enfrentam uma doença grave: como conversar com os filhos sobre o que está acontecendo.
Seu filho Taylor tinha seis anos quando ela iniciou o tratamento. A mãe procurava preservar a rotina da criança e evitar que ele a visse fragilizada. Em dezembro, porém, o menino entrou no quarto e encontrou Jessica sem a peruca. Foi quando fez a pergunta que acabou dando nome ao livro: “Mãe, você está careca?”.
Para Jessica, a situação mostrou que esconder completamente a realidade não necessariamente protege a criança.
“O susto inicial deu lugar a um momento de profunda conexão e verdade. Percebi que as crianças compreendem o amor e as situações desafiadoras quando conversamos com transparência. Proteger o coração do meu filho não significava esconder a realidade, mas mostrar que a nossa base continuava firme, mesmo diante das maiores tempestades”, relata.
O que deve ser observado nas mamas?
A ginecologista Paula Fettback explica que sintomas nas mamas precisam ser avaliados mesmo quando a mulher ainda não está na faixa etária indicada para o rastreamento de rotina.
“O rastreamento de rotina com mamografia tem diretrizes de idade estabelecidas pelos órgãos de saúde pública, mas o aparecimento de um nódulo palpável, alterações na pele, dores persistentes ou qualquer assimetria nas mamas exige avaliação médica imediata, independente de a mulher ter 20, 30 ou 50 anos. O diagnóstico precoce continua sendo a ferramenta mais eficaz para salvar vidas”, orienta.
Entre os sinais que merecem atenção estão nódulos palpáveis, alterações na textura ou no aspecto da pele da mama, mudanças no formato ou inversão do mamilo, saída espontânea de líquido e gânglios aumentados na região das axilas.
A presença de um desses sinais não significa necessariamente câncer, mas é importante buscar avaliação profissional para investigar a causa.
Câncer de mama jovem: veja a que ficar atenta. Foto: Magnific
A experiência também mudou sua atuação profissional
Durante o próprio tratamento, Jessica passou a observar de outra maneira algumas das dificuldades enfrentadas por pacientes com câncer. A experiência deu origem ao Projeto Luz na Jornada, iniciativa voltada ao acolhimento de pessoas em tratamento oncológico.
Entre as ações está a realização de sessões de laserterapia oral, voltadas à prevenção e ao alívio da mucosite oral e de outras lesões na boca que podem aparecer durante tratamentos como quimioterapia e radioterapia.
A proposta é oferecer suporte durante uma fase em que sintomas na cavidade oral podem dificultar atividades como alimentação e comprometer o conforto do paciente.
A história de Jessica, portanto, vai além do diagnóstico. O caso também mostra como uma alteração percebida no próprio corpo pode levar à investigação e, posteriormente, transformar a maneira como uma pessoa compreende o cuidado com a saúde.
Resumo: O diagnóstico de câncer de mama aos 31 anos levou Jessica Arcanjo a enfrentar quimioterapia, imunoterapia, cirurgia e radioterapia. Sua experiência reforça a importância de investigar nódulos, alterações na pele, mudanças nos mamilos, secreções ou outras modificações nas mamas em qualquer idade, sem confundir a investigação de sintomas com o rastreamento de rotina.





