O uso de chupeta costuma estar associado à infância, mas o hábito ganhou espaço nas redes sociais depois que influenciadores passaram a aparecer utilizando o acessório mesmo na vida adulta. A justificativa seria a busca por conforto emocional ou uma maneira de aliviar o estresse e a ansiedade.
Apesar dos relatos de sensação momentânea de alívio, não existem pesquisas científicas suficientes que comprovem que a chupeta seja eficaz para controlar esses problemas emocionais. Além disso, o uso frequente e prolongado pode interferir na saúde bucal e no funcionamento dos músculos e estruturas envolvidas na mastigação, deglutição, fala e respiração.
Segundo Vanda Domingos, cirurgiã-dentista e presidente da Câmara Técnica de Ortodontia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), não há indicação clínica para o uso de chupeta por adultos.
O hábito pode mexer com os dentes
Na infância, o uso prolongado da chupeta pode interferir no desenvolvimento da arcada dentária e da face. Entre as alterações associadas ao hábito estão mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior, projeção dos incisivos superiores, inclinação dos incisivos inferiores para trás e estreitamento do arco dentário superior.
O risco depende principalmente de quanto tempo a criança usa o acessório, com que frequência e por quanto tempo permanece com ele durante o dia. Por isso, o uso eventual apresenta um cenário diferente daquele em que a criança passa várias horas diariamente com a chupeta.
Já na idade adulta, o crescimento ósseo está concluído. Dessa forma, as possíveis consequências tendem a estar mais relacionadas aos dentes e à função das estruturas orofaciais.
Efeitos da chupeta em adultos
Quando o hábito é frequente e prolongado, a sucção pode estar associada a pequenas movimentações dentárias, alterações na posição da língua e desequilíbrio da musculatura orofacial.
Também pode haver agravamento de problemas de mordida que já existiam, além de desconforto ou fadiga dos músculos envolvidos na mastigação.
Outro ponto é a articulação temporomandibular, conhecida como ATM. O uso da chupeta pode modificar a função mastigatória e contribuir para uma sobrecarga muscular em pessoas que já tenham predisposição a problemas nessa região.
Isso não significa, porém, que a chupeta seja comprovadamente uma causa direta da disfunção temporomandibular, ou DTM. De acordo com a especialista, não existem evidências científicas robustas que permitam estabelecer essa relação de causa e efeito.
Chupeta não trata ansiedade ou estresse
O fato de uma pessoa sentir conforto momentâneo ao utilizar a chupeta não significa que o acessório trate a causa do estresse ou da ansiedade.
Quando o objeto passa a ser utilizado repetidamente como uma forma de lidar com desconfortos emocionais, o comportamento pode se tornar uma espécie de apoio recorrente para a regulação das emoções. Nesse cenário, em vez de tratar a origem do problema, o hábito pode dificultar a busca por estratégias mais adequadas.
Por isso, quando existe uma necessidade frequente de recorrer à chupeta para aliviar tensão ou ansiedade, vale investigar o que está por trás desse comportamento e buscar orientação profissional.
O que pode ajudar a controlar o estresse?
A substituição do hábito pode ser feita gradualmente por estratégias que tenham maior respaldo para a regulação emocional.
Entre as alternativas estão técnicas de relaxamento, exercícios respiratórios, atividade física e cuidados com a higiene do sono. Dependendo da intensidade e da frequência dos sintomas, o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico também pode ser necessário.
A escolha da estratégia deve levar em conta a causa do estresse ou da ansiedade, já que não existe uma solução única para todas as pessoas.
Chupeta para adultos? Conheça os riscos. Foto: Magnific
E as crianças? Quando a chupeta deve ser retirada?
Embora o uso infantil também exija atenção, as recomendações são diferentes das relacionadas aos adultos.
O uso eventual até os 12 meses tende a apresentar baixo impacto sobre a oclusão. Entre 12 e 24 meses, a orientação é começar a reduzir gradualmente o hábito, com interrupção preferencialmente até os 2 anos.
A partir dos 3 anos, o risco de alterações na oclusão aumenta de maneira significativa.
A frequência também faz diferença. Uma criança que utiliza a chupeta apenas para dormir está exposta a um padrão diferente daquela que permanece com o acessório durante várias horas do dia.
Por isso, uma das orientações é restringir o uso aos momentos de sono ou a situações pontuais de desconforto, evitando transformar a chupeta em um objeto levado constantemente para passeios, escola ou outras atividades.
Na vida adulta, entretanto, a recomendação é outra: a chupeta não deve ser utilizada como tratamento para ansiedade ou estresse. Se o acessório se tornou uma ferramenta frequente para lidar com emoções difíceis, o mais importante é entender a origem dessa necessidade e buscar formas mais eficazes e adequadas de enfrentá-la.
Resumo: O uso de chupeta por adultos não tem indicação clínica nem benefício comprovado para controlar ansiedade ou estresse. Quando o hábito é frequente e prolongado, pode contribuir para movimentações dentárias, alterações musculares e mudanças funcionais. Na infância, o uso também deve ser limitado, especialmente a partir dos 2 anos, para reduzir o risco de alterações na oclusão.
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