Emagrecimento com canetas pede cuidado individualizado na harmonização facial

A perda significativa de peso pode mudar também os contornos do rosto. Algumas pessoas percebem a pele mais flácida, menos volume em certas regiões e alterações na sustentação facial. Para a Dra. Mariana Ribeiro, fundadora do Grupo Boutique da Pele, a avaliação deve considerar o processo de emagrecimento como um todo e não partir da ideia de que todo volume perdido precisa ser reposto.

O que é a chamada “Ozempic face”?

Nas redes sociais, essas mudanças ficaram conhecidas como “Ozempic face”. A expressão pode dar a impressão de que um medicamento específico altera diretamente a aparência, mas as mudanças também podem estar relacionadas à perda de peso rápida ou expressiva.

Uma revisão científica publicada em 2026 descreve alterações em diferentes estruturas da face após o emagrecimento associado a medicamentos GLP-1, incluindo redução de compartimentos de gordura e maior flacidez da pele.

“Quando recebemos um paciente que passou por uma perda importante de peso, não podemos olhar apenas para onde o rosto perdeu volume. Precisamos avaliar a qualidade da pele, a flacidez, a sustentação dos tecidos, as proporções faciais e também entender se esse paciente ainda está emagrecendo”, explica Mariana.

Por que preencher todo o volume pode não funcionar?

Ao notar o rosto mais fino ou algumas áreas mais marcadas, é comum pensar em preenchimento para recuperar o aspecto anterior. Mas, segundo Mariana, a mudança pode envolver também a pele e a sustentação dos tecidos.

“Existe um risco de olhar para um rosto emagrecido e querer preencher todos os espaços que apareceram. Nem sempre é isso que aquele paciente precisa. Se existe flacidez e alteração na qualidade da pele, simplesmente adicionar volume pode não entregar o resultado esperado e ainda modificar as proporções naturais do rosto”, afirma.

O ácido hialurônico pode ser considerado quando há indicação de reposição seletiva de volume ou suporte. Em outros casos, o planejamento pode incluir tratamentos voltados à qualidade da pele e ao estímulo de colágeno. A escolha depende da avaliação de cada pessoa.

Estudos histológicos sobre grandes perdas de peso também descrevem mudanças na estrutura da pele e nas fibras de colágeno e elastina. A pesquisa, realizada com pacientes após emagrecimento expressivo, analisou amostras de pele de procedimentos corporais; seus resultados ajudam a contextualizar alterações nos tecidos, mas não definem, por si só, um protocolo facial.

A avaliação pode começar durante o emagrecimento

Não há um prazo único de espera aplicável a todos os pacientes. Mariana explica que o acompanhamento pode começar durante o processo de perda de peso, com atenção à prevenção da perda de colágeno. Mais perto do objetivo de emagrecimento, o profissional pode avaliar com maior precisão as necessidades estruturais do rosto.

A orientação não significa que todos devam iniciar procedimentos nessa fase. O momento e as opções dependem do ritmo do emagrecimento, da quantidade de peso perdida, da idade, da anatomia, da qualidade da pele e de tratamentos anteriores.

Revisões científicas recentes discutem estratégias que podem combinar estímulo de colágeno e reposição seletiva de volume, mas ressaltam que a abordagem deve ser individualizada.

Foto: Divulgação

Harmonização é planejamento, não quantidade de produto

Para Mariana, acompanhar as mudanças gradualmente permite observar como o rosto responde ao emagrecimento e à estabilização do peso. O objetivo não é necessariamente recuperar a aparência de antes, mas entender quais necessidades existem no momento.

“Não existe uma receita pronta. Idade, anatomia, quantidade de peso perdido, velocidade desse emagrecimento, qualidade da pele e procedimentos anteriores interferem na avaliação. O tratamento precisa ser construído para aquele rosto.”

A especialista resume a importância de começar pela avaliação: “Harmonizar não significa preencher. Principalmente depois de um emagrecimento importante, o primeiro passo é entender o que mudou. A partir disso, conseguimos definir se aquele paciente precisa de volume, estímulo de colágeno, melhora da qualidade da pele ou uma combinação de estratégias. O tratamento começa na avaliação.”