Trinta e oito pesquisas clínicas sobre o consumo de maçã foram reunidas por cientistas da Itália em uma revisão publicada no periódico científico Food & Function. O conjunto aponta efeitos da fruta em três frentes da saúde cardiometabólica: o açúcar no sangue, o funcionamento dos vasos sanguíneos e a composição da microbiota intestinal.
Os autores descrevem ações antioxidantes e anti-inflamatórias que chegam ao endotélio, a camada de células que forra a parede interna das artérias, um efeito que favorece o trabalho dos vasos.
Fibra que vira gel no estômago
Entre os componentes da maçã, a pectina ganha destaque. Essa fibra solúvel forma uma espécie de gel no trato digestivo, deixa o esvaziamento do estômago mais lento e faz os carboidratos serem absorvidos aos poucos. O resultado é uma glicemia mais estável e um risco menor de diabetes.
Comer maçã com casca faz diferença para o coração e o intestino, aponta revisão de 38 estudos (Foto: Magnific)
Como as fibras não são totalmente digeridas, boa parte delas chega ao intestino grosso e serve de alimento para micro-organismos benéficos. A revisão liga o hábito de comer a fruta ao aumento dessas bactérias, principalmente das bifidobactérias.
Ao fermentar as fibras, essas bactérias produzem ácidos graxos de cadeia curta, substâncias associadas à proteção da barreira intestinal, ao controle de processos inflamatórios e à regulação do uso de energia pelo organismo.
Minerais e vitaminas na mesma fruta
A maçã também fornece potássio e magnésio, minerais conhecidos pela relação com a saúde cardiovascular, além de vitaminas, com destaque para as do complexo B e a vitamina C.
Mais de 80% dos flavonoides estão na casca
Outro trunfo são os polifenóis, compostos estudados pela ação antioxidante e anti-inflamatória. Na maçã, o grupo principal é o dos flavonoides, com quercetina, catequinas e proantocianidinas. As variedades vermelhas ainda contam com antocianinas, pigmentos da mesma família.
Esses compostos aparecem na polpa, na casca e nas sementes, mas a casca reúne mais de 80% dos flavonoides da fruta. Quem descasca a maçã abre mão da maior parte deles. O ideal é comê-la inteira, depois de uma boa higienização.
Duas atitudes simples ajudam a aproveitar melhor essas substâncias: alternar os tipos de maçã ao longo da semana, já que cada variedade tem um perfil próprio de compostos bioativos, e guardar as frutas na geladeira, que preserva os polifenóis por mais tempo.
Os resultados pedem cautela
Os 38 estudos da revisão variam bastante no perfil dos participantes e na quantidade de fruta consumida, o que impede conclusões definitivas. A maçã funciona como aliada dentro de uma alimentação equilibrada e não faz milagres sozinha.
Como reconhecer as maçãs mais vendidas no Brasil
Originária da Ásia Central, a maçã está entre as frutas mais consumidas do mundo. No Brasil, o cultivo se concentra no Sul, onde o clima temperado favorece a planta. Veja as diferenças entre as variedades mais comuns nos mercados:
Fuji: nascida de cruzamentos feitos no Japão, tem casca avermelhada sobre fundo verde e polpa amarelo-clara, firme, crocante, aromática e levemente ácida.
Gala: pequena e vermelha sobre fundo amarelo, tem polpa firme e suculenta, com equilíbrio entre acidez e doçura.
Granny Smith: uma das maçãs verdes mais encontradas no país. A cor vem da ausência de antocianinas na casca, e a polpa é branca, com estrias verdes, suculenta e ácida.
Red: também chamada de maçã argentina, vai de média a grande, tem casca vermelha e brilhante e polpa esbranquiçada, que fica farinhenta quando a fruta passa do ponto.
Resumo: Uma revisão de 38 estudos publicada no periódico Food & Function associa o consumo de maçã a melhor controle da glicemia, proteção das artérias e aumento de bactérias benéficas no intestino. A casca concentra mais de 80% dos flavonoides, e a fruta rende mais quando consumida inteira e bem higienizada.
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