Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil) revelam que os adultos brasileiros têm, em média, 10,7 dentes acometidos por cárie. Embora o problema seja historicamente associado à dor intensa, a doença pode evoluir por longos períodos sem apresentar nenhum sintoma evidente.
O presidente da Câmara Técnica de Endodontia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Miguel Haddad, explica que a chamada cárie silenciosa se refere a lesões que progridem sem provocar desconfortos perceptíveis pelo paciente. A condição está ligada à ação de bactérias do biofilme dental, que produzem ácidos capazes de desmineralizar os tecidos do dente.
“A região interproximal, principalmente, tem uma pequena espessura de esmalte devido à anatomia. Por isso, a bactéria consegue atingir a dentina de maneira mais rápida, causando uma lesão de cárie que chamamos de oculta. Um fator determinante para isso é que muitos pacientes negligenciam o uso do fio dental”, alerta o Dr. Miguel.
Como identificar os sinais discretos
Como a ausência de dor não significa ausência de doença, muitas lesões passam despercebidas. No entanto, o organismo e a estrutura dental podem emitir pequenos alertas.
Fique atento se notar:
Sensibilidade repentina ao frio ou a alimentos doces
Retenção frequente de alimentos presos entre determinados dentes
Fio dental que desfia ou rompe sempre no mesmo lugar
Alterações de cor, como manchas brancas, amarronzadas ou escuras
Pequenas fraturas dentárias ou em restaurações antigas
Prevenção e o papel do cirurgião-dentista
A Dra. Cristiane Casamassa, especialista em Clínica Odontológica Integrada, reforça que a prevenção deve combater diretamente os fatores que favorecem o acúmulo de biofilme dental.
As principais recomendações diárias incluem:
Escovação adequada com creme dental fluoretado após as refeições
Uso diário e correto do fio dental
Alimentação equilibrada com menor consumo de carboidratos fermentáveis
Visitas regulares ao dentista para avaliação de risco individualizada
Por outro lado, o papel do profissional vai muito além de tratar dentes com dor. Durante a consulta, o dentista utiliza exames clínicos detalhados, luz adequada e recursos complementares como radiografias para investigar áreas de difícil visualização.
Tratamentos modernos e menos invasivos
A boa notícia é que a odontologia contemporânea conta com abordagens muito mais conservadoras. Quando a lesão é identificada precocemente no esmalte dental, é possível interromper sua progressão sem precisar recorrer a brocas ou restaurações imediatas.
Fluorterapia: Aplicação tópica de flúor no consultório ou uso de produtos orientados em casa.
Infiltrantes resinosos: Tecnologias específicas para travar o avanço da cárie em estágios iniciais.
Remoção seletiva: Nos casos em que há cavitação, a intervenção busca preservar a maior quantidade possível de estrutura dental sadia.
“O melhor caminho é sempre o diagnóstico precoce. Quanto mais cedo identificamos a lesão, maior é a possibilidade de controlar a doença com uma abordagem conservadora e evitar a perda desnecessária de estruturas dentárias”, conclui a cirurgiã-dentista.
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