Fadiga visual: ardência e visão embaçada depois de horas nas telas pedem atenção

Computador no trabalho, celular nos intervalos, tablet depois do expediente. Para muita gente, o dia inteiro passa diante de alguma tela, e os olhos sentem. Ardência, vermelhidão e visão borrada são sinais típicos da fadiga visual digital, também chamada de síndrome da visão do computador.

O quadro incomoda, atrapalha a concentração e pode derrubar o rendimento no trabalho, segundo o oftalmologista Fernando Naves, do Hospital Santa Casa de Mauá.

Sete em cada dez participantes tinham sintomas

Uma revisão publicada em 2024 no Journal of Optometry reuniu 103 estudos, com mais de 66 mil pessoas no total. Pela estimativa dos autores, cerca de sete em cada dez participantes apresentavam sintomas da síndrome. Os números variaram de uma população para outra, mas dão a dimensão de como o problema é frequente.

Fadiga visual: ardência e visão embaçada depois de horas nas telas pedem atenção (Foto: Magnific)

Por que as telas cansam os olhos

Quando a atenção se fixa na tela, a pessoa pisca menos. Com menos piscadas, a lágrima evapora mais rápido e a superfície dos olhos resseca. Manter o foco em algo próximo por muito tempo também exige esforço contínuo.

Alguns fatores pioram o quadro: jornadas longas sem intervalo, iluminação ruim, reflexos na tela e grau de óculos que não foi corrigido.

Sintomas mais comuns

Vermelhidão, lacrimejamento, sensação de olhos pesados, visão embaçada por alguns momentos e dor de cabeça estão entre as queixas mais frequentes. Como lembram cansaço ou estresse, ajuda observar se elas aparecem com frequência durante ou depois do expediente.

“Nem sempre as pessoas associam a ardência, a visão embaçada e as dores de cabeça ao tempo que passam diante das telas. Quando esses sintomas se tornam frequentes, é importante investigar a causa, em vez de simplesmente se acostumar ao desconforto”, afirma Fernando.

Dor nos olhos, piora da visão ou alterações que não passam pedem consulta com oftalmologista.

Tratamento depende da causa

Dependendo do caso, o tratamento pode envolver a correção do grau, medidas contra o ressecamento e mudanças na rotina de trabalho. O médico também pode indicar lágrimas artificiais ou outros recursos específicos. Pingar colírio por conta própria deve ser evitado.

“Não existe uma solução única para todos os casos. A avaliação oftalmológica ajuda a identificar a causa dos sintomas e indicar o tratamento adequado. Ajustar o ambiente de trabalho e fazer pausas regulares também são medidas importantes para aliviar o desconforto”, orienta o oftalmologista.

Regra 20-20-20 e outros ajustes na rotina

Uma estratégia simples para descansar os olhos é a regra 20-20-20, criada pelo optometrista norte-americano Jeffrey Anshel. Funciona assim: a cada 20 minutos diante da tela, olhe para algo a cerca de seis metros de distância (o equivalente a 20 pés) durante 20 segundos. O hábito garante pausas regulares e pode reduzir o desconforto.

A arrumação da mesa de trabalho também conta:

monitor mais ou menos à distância de um braço;
tela um pouco abaixo da linha dos olhos;
menos reflexos na tela;
brilho ajustado à luz do ambiente.

Fora do trabalho, intercalar o uso de aparelhos com atividades longe das telas evita longos períodos seguidos de exposição.

Resumo: A fadiga visual digital provoca ardência, vermelhidão, visão embaçada e dor de cabeça em quem passa horas diante de telas. Revisão de 103 estudos no Journal of Optometry estimou sintomas em cerca de sete em cada dez participantes. Pausas como a regra 20-20-20, ajustes no monitor e avaliação oftalmológica ajudam a aliviar o problema.

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