O ‘fungo zumbi’ que controla aranha descoberto em universidade de Minas Gerais

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, descobriram uma espécie de fungo parasita, batizada de Gibellula mineira, num fragmento de Mata Atlântica preservado no campus. 

Descoberto de forma acidental durante estudos sobre comportamento aracnídeo, o fungo é capaz de assumir o controle motor de seu hospedeiro para garantir a sobrevivência e continuidade da espécie.

A espécie mira a aranha Iguarima censoria, usando mecanismos biológicos para induzir o aracnídeo a se mover para locais com condições ideais para a dispersão de esporos. 

Embora o parasita compartilhe a estratégia de “zumbificação” com o gênero Ophiocordyceps (que inspirou The Last of Us), os pesquisadores esclareceram que as duas linhagens são evolutivamente distantes. E que o novo fungo não oferece riscos aos seres humanos.

‘Fungo zumbi mineiro’: Pesquisa busca desvendar mecanismos de manipulação bioquímica

O nome da nova espécie homenageia o local da descoberta: a Mata da Biologia, fragmento de Mata Atlântica que fica no próprio campus da UFV.

Diferente do que vemos em filmes (aquela contaminação generalizada), esse fungo é bem específico: ele só ataca a aranha da espécie Iguarima censoria.

Como funciona a ‘zumbificação’?

‘Fungo zumbi’ controla aranha e depois a mata – Imagem: Universidade Federal de Viçosa

O termo “fungo zumbi” é usado porque o parasita não só mata seu hospedeiro como assume o controle dele. O processo é assim:

Invasão e controle: O fungo se apossa do corpo da aranha;

Manipulação comportamental: Ele força a aranha a se mover para um local específico;

Estratégia de sobrevivência: Esse local escolhido possui as condições ideais para o fungo se desenvolver e espalhar seus esporos, o que garante a continuidade da sua espécie;

Desfecho: A aranha morre onde o fungo tem a melhor “plataforma de lançamento” para espalhar seus esporos. Lá, o parasita encerra seu ciclo de vida também.

A descoberta foi acidental. A pesquisadora Aline dos Santos estudava alterações comportamentais em aranhas durante seu mestrado quando se deparou com o novo fungo.

Embora o mecanismo lembre o famoso Ophiocordyceps (que ataca formigas e inspirou o jogo The Last of Us), os cientistas Thairine Mendes e Thiago Kloss explicaram que são grupos de origens distintas e evolutivamente distantes.

A pesquisa entra agora numa fase mais técnica e profunda. Os cientistas querem responder às seguintes perguntas:

Quais são as moléculas envolvidas nessa interação?

Quais compostos químicos o fungo produz para controlar a mente da aranha?

Como exatamente ocorre esse “meio do caminho” entre a infecção e o controle total?

Essa descoberta reforça que nem sempre precisamos ir para o meio de uma selva isolada para descobrir biodiversidade. Muitas vezes, espécies novas e interações complexas estão literalmente no nosso quintal.

(Essa matéria usou informações de DW, Fungal Biology e UFV.)

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