Nobel de Física ganha ‘Oscar da Ciência’ e alerta: humanidade dura menos de 50 anos

O físico David Gross, laureado com o Nobel de Física em 2004, foi um dos destaques da transmissão do Breakthrough Prize 2026 no domingo (26). Durante o evento, Gross recebeu o Prêmio Especial em Física Fundamental, acompanhado da quantia de US$ 3 milhões (aproximadamente R$ 15 milhões).

A cerimônia, conhecida popularmente como o “Oscar da Ciência“, ocorreu no Barker Hangar, em Santa Monica. E destacou o papel de Gross como pesquisador e líder acadêmico capaz de inspirar novas gerações. O reconhecimento celebra sua trajetória na vanguarda da ciência e suas contribuições para desvendar as leis que regem o Universo.

No entanto, o brilho da premiação dividiu espaço com um alerta urgente do físico sobre os riscos existenciais que podem interromper o progresso científico.

David Gross é premiado por pesquisas na fronteira da Física Fundamental

O prêmio de Gross reconhece seu trabalho na Universidade da Califórnia, Santa Barbara (UCSB), onde ele atua como professor titular e ex-diretor do Kavli Institute for Theoretical Physics (KITP)

Sob sua liderança, o instituto se tornou um dos maiores centros de pesquisa interdisciplinar do mundo. Essa excelência atraiu parcerias com empresas como Google e Microsoft, focadas no desenvolvimento de tecnologias de ponta em computação quântica e novos materiais.

A base técnica da homenagem reside nas contribuições de Gross para a teoria das supercordas. Trata-se de uma estrutura matemática complexa que tenta unir a gravidade (que rege os planetas e galáxias) com a mecânica quântica (que descreve o mundo subatômico). 

O comitê da premiação descreveu o trabalho de Gross como um esforço essencial para formular uma “Teoria de Tudo”, capaz de explicar as forças da natureza sob um único guarda-chuva teórico.

Durante a cerimônia, a entrega do troféu foi feita pela atriz Lily Collins. Assista abaixo:

Civilização corre risco de colapso em 35 anos, alerta Nobel de Física

Apesar do clima festivo, Gross emitiu um aviso severo em entrevista ao Live Science: “Atualmente, passo parte do meu tempo tentando dizer às pessoas que as chances de elas viverem mais 50 anos são muito pequenas”. 

“Devido ao perigo de uma guerra nuclear, vocês têm cerca de 35 anos.

David Gross, laureado com o Nobel de Física em 2004, em entrevista ao Live Science

Gross estima 2% de probabilidade ao ano de uma guerra nuclear. Em termos estatísticos, isso representa uma chance de um em 50 anualmente. Ele observa que esse cenário é mais grave do que o registrado durante a Guerra Fria, quando as estimativas eram de 1% ao ano. 

Para o físico, a erosão de tratados diplomáticos e o fim de controles estratégicos de armas colocaram o mundo num patamar de perigo sem precedentes.

Outro ponto crítico é a crescente automação das defesas por meio da inteligência artificial (IA). Gross teme que a velocidade de resposta exigida em conflitos modernos force militares a delegar o comando de ogivas nucleares a algoritmos. 

Físico David Gross foi um dos premiados no Breakthrough Prize 2026 – Imagem: Divulgação/Breakthrough Prize

“Se você usa IA, sabe que ela às vezes alucina”, alertou o físico. Gross destacou que uma falha técnica num sistema que toma decisões em milissegundos poderia causar uma destruição global antes que qualquer humano pudesse intervir.

A consequência dessa instabilidade para a ciência seria o fim das buscas por grandes descobertas. Atualmente, os físicos conseguem unificar três das quatro forças fundamentais, mas a gravidade ainda é o “elo perdido”. 

Gross explica que, se a sociedade entrar em colapso, a humanidade nunca chegará a ver a Teoria Unificada, pois projetos científicos de grande escala dependem de estabilidade econômica e paz global duradoura.

O físico encerrou sua análise comparando o perigo nuclear com a mudança climática. Ele ressalta que, embora o clima seja um desafio complexo que exige décadas de esforço, a ameaça nuclear depende exclusivamente de uma mudança na vontade política. 

“Nós as fizemos; nós podemos pará-las”, concluiu o laureado, enfatizando que a sobrevivência da espécie é o pré-requisito para que os mistérios do cosmos continuem a ser desvendados.

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