O julgamento do processo movido por Elon Musk contra o CEO da OpenAI, Sam Altman, o presidente da empresa, Greg Brockman, e a Microsoft começou num tribunal federal na Califórnia (EUA) nesta semana.
A disputa judicial foca na acusação de que a empresa teria violado seu estatuto de organização beneficente e cometido fraude ao se desviar da missão original: garantir que a Inteligência Artificial Geral (AGI) beneficie a humanidade, em vez de focar no lucro privado.
Documentos revelados no tribunal, que incluem e-mails de 2015, fotos e registros internos, expõem os bastidores da criação da startup e divergências sobre o controle da tecnologia.
As evidências mostram que, embora Musk tenha ajudado a redigir a missão da OpenAI e influenciado sua estrutura inicial, a relação com Altman e Brockman foi marcada por disputas sobre a centralização de poder e a dependência de investidores externos.
E-mails e registros detalham a fundação e o desgaste da OpenAI
As provas apresentadas até agora traçam uma linha do tempo que vai desde a concepção da ideia, em junho de 2015, até a ruptura definitiva de Musk com a diretoria em 2017.
Os arquivos revelam que a segurança da IA era tratada como um requisito de “primeira classe”, mas que o financiamento necessário para manter o projeto competitivo gerou atritos sobre quem deteria a palavra final no desenvolvimento da tecnologia.
Confira abaixo um resumo do conteúdo de cada prova:
Evidência nº 5: O plano inicial de cinco partes
Em junho de 2015, Altman enviou um e-mail a Musk propondo a criação de um laboratório de IA focado em empoderamento individual e segurança.
A proposta inicial previa uma governança composta por cinco nomes, incluindo Musk e Bill Gates, com a premissa de que a tecnologia pertenceria a uma fundação e seria usada para o “bem do mundo”.
Altman sugeriu que os pesquisadores recebessem salários competitivos, mas com retornos financeiros desconectados do que construíssem, para evitar conflitos de interesse.
Evidência nº 7: O compromisso financeiro e a segurança
Um e-mail de outubro de 2015 mostra Altman sugerindo que Musk assumisse um compromisso inicial de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 500 milhões), com a possibilidade de doações adicionais ao longo de cinco anos.
Na troca de mensagens, Musk enfatizou a importância da governança, dizendo que não gostaria de financiar algo que pudesse tomar a “direção errada”.
Eles também discutiram sobre a criação de um “Conselho de Segurança” como uma chave secundária para o lançamento de tecnologias potencialmente perigosas.
Evidência nº 12: A busca por um nome e os dados da Tesla
Em novembro de 2015, Musk propôs o nome “Freemind” para o laboratório, justificando que a inteligência digital deveria ser livre para todos, em oposição à abordagem da DeepMind. Altman sugeriu nomes como “Axon” ou algo relacionado a Alan Turing.
Além do aporte financeiro, Musk ofereceu acesso a volumes massivos de dados de sensores da Tesla para treinar os sistemas de IA, alegando que a quantidade de informação era ordens de magnitude superior à de qualquer outra empresa.
Evidência nº 14: O rascunho da missão e o recrutamento
Em dezembro de 2015, Musk e Altman trocaram e-mails para redigir o anúncio oficial da OpenAI, focando na atração de talentos.
No rascunho de Musk, ele admitia que o pagamento seria baixo comparado a outras empresas, mas que a estrutura estava correta.
Altman complementou afirmando que a ausência de obrigações financeiras permitiria ao laboratório focar no impacto humano positivo máximo.
Evidência nº 16: O estatuto oficial sem fins lucrativos
Os artigos de incorporação da OpenAI, protocolados em 8 de dezembro de 2015, confirmam que a empresa foi organizada exclusivamente para fins beneficentes.
O documento afirma explicitamente que a corporação não foi criada para o ganho privado de qualquer pessoa e que a tecnologia resultante deveria ser distribuída para o benefício público sempre que aplicável.
Essa prova é o pilar central da acusação de Musk sobre o desvio de finalidade da OpenAI.
Evidência nº 70: O pedido do supercomputador à Nvidia
Um e-mail de abril de 2016 mostra Musk solicitando ao CEO da Nvidia, Jensen Huang, a compra de uma unidade antecipada de um supercomputador.
Na mensagem, Musk reforça que a OpenAI era uma organização sem fins lucrativos independente da Tesla, com o objetivo de desenvolver uma AGI segura e evitar “pavimentar o caminho para o inferno com boas intenções”.
Evidência nº 388: A entrega do hardware e o mantra de Rickover
Uma fotografia registra o momento em que Jensen Huang entrega o supercomputador à OpenAI, com Elon Musk presente.
Ao fundo, na parede, aparece uma citação do Almirante Hyman G. Rickover sobre a capacidade humana de esforço ser maior do que se imagina, frase que Altman ecoou em seu blog anos depois.
Evidência nº 152: O temor pelo “controle absoluto”
Em agosto de 2017, a então chefe de gabinete de Musk, Shivon Zilis, relatou preocupações de Greg Brockman e Ilya Sutskever sobre o nível de controle de Musk.
O ponto de tensão era a exigência de um acordo que garantisse que nenhuma pessoa sozinha tivesse controle absoluto sobre a AGI após um período inicial de dois a três anos. Musk reagiu com irritação, sugerindo que eles deveriam fundar sua própria empresa.
Evidência nº 153: A tabela de capital e a divisão societária
Um e-mail de setembro de 2017 enviado por Jared Birchall apresentou uma proposta de tabela de capital na qual Musk, que volta a depor no julgamento nesta quinta-feira (30), deteria 51,20% das ações.
Na mesma proposta, Altman, Sutskever e Brockman receberiam 11,01% cada, com o restante reservado para funcionários iniciais.
(Essa matéria também usou informações do The Verge.)
O post Musk x Altman: Evidências revelam bastidores e tensões na criação da OpenAI apareceu primeiro em Olhar Digital.






