Doença rara, mas grave, é transmitida por roedores silvestres e exige atenção em áreas rurais e ambientes fechados. O hantavírus voltou a chamar a atenção após um surto registrado em um cruzeiro no oceano Atlântico, com casos confirmados entre passageiros e três mortes. Apesar da repercussão, a Organização Mundial da Saúde informou que o risco de disseminação em larga escala é considerado baixo.
Ainda assim, o episódio despertou dúvidas sobre uma infecção pouco conhecida, mas que pode evoluir rapidamente e causar complicações graves.
O que é o hantavírus?
O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores silvestres. No Brasil, a infecção causada por esses agentes é chamada de hantavirose.
A doença costuma ocorrer quando a pessoa entra em contato com partículas presentes na urina, nas fezes ou na saliva de roedores infectados. Esse material pode secar e se misturar ao ar, sendo inalado sem que a pessoa perceba.
Como acontece a transmissão?
A forma mais comum de contágio é a inalação de poeira contaminada em locais fechados ou pouco ventilados, como:
Galpões
Celeiros
Depósitos
Casas de campo
Áreas rurais
O risco também pode existir ao manusear objetos ou superfícies contaminadas. A transmissão entre pessoas é extremamente rara e foi observada apenas em situações específicas envolvendo determinadas variantes do vírus, como a cepa andina, identificada em alguns países da América do Sul.
Quais são os sintomas?
Nos primeiros dias, os sinais podem se parecer com uma virose comum, o que dificulta o reconhecimento precoce.
Os sintomas mais frequentes incluem:
Febre
Dor no corpo
Dor de cabeça
Cansaço intenso
Náuseas
Mal-estar
Guia do Hantavírus. Foto: Magnific
Em casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente com:
Falta de ar
Tosse
Queda da pressão arterial
Comprometimento dos pulmões
Insuficiência respiratória
Situação no Brasil
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 1.386 casos confirmados de hantavirose entre 2007 e 2024, com 540 mortes no período. Embora seja considerada uma doença rara, a taxa de mortalidade é elevada, o que reforça a importância do diagnóstico e do atendimento rápido.
Quem corre mais risco?
A infecção é mais frequente em pessoas que vivem ou trabalham em locais com maior exposição a roedores silvestres, como:
Trabalhadores rurais
Agricultores
Moradores de áreas próximas a matas
Pessoas que limpam casas ou galpões fechados por muito tempo
Como prevenir a hantavirose?
A principal forma de prevenção é evitar o contato com roedores e seus resíduos. Alguns cuidados importantes incluem:
Manter ambientes limpos e organizados
Armazenar alimentos em recipientes fechados
Vedação de frestas e buracos em paredes e telhados
Uso de luvas e máscaras na limpeza de locais fechados
Evitar varrer a seco áreas com sinais de roedores
Antes de limpar galpões ou casas fechadas, o ideal é ventilar bem o ambiente e umedecer o local para reduzir a dispersão de partículas no ar.
Existe tratamento?
Não há um medicamento específico para eliminar o hantavírus. O tratamento é feito com suporte hospitalar, incluindo oxigênio e monitoramento intensivo quando necessário. Por isso, reconhecer os sintomas e procurar atendimento rapidamente pode fazer grande diferença na evolução do quadro.
Se houver febre, dores no corpo e dificuldade para respirar após contato com ambientes infestados por roedores, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente e informar essa exposição.
Resumo:
O hantavírus é transmitido principalmente pela inalação de partículas contaminadas por urina e fezes de roedores silvestres. A infecção pode começar com sintomas parecidos com uma gripe, mas evoluir rapidamente para quadros graves. Manter ambientes limpos e evitar contato com roedores são as principais formas de prevenção.
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