Uma pesquisa baseada na análise de 2.025 primatas, entre macacos e grandes símios de 41 espécies, investigou as origens da forte preferência humana pela mão direita. O trabalho científico comparou padrões de lateralidade entre diferentes linhagens evolutivas. O estudo foi publicado no periódico Plos Biology e foi desenvolvido por Thomas A. Püschel, Rachel M. Hurwitz, e Chris Venditti; você pode lê-lo clicando aqui.
Os autores observaram que, embora algumas espécies apresentem certo grau de preferência manual, nenhuma delas exibe um nível de lateralização tão intenso quanto o encontrado em seres humanos. A investigação reuniu dados anatômicos e evolutivos para entender por que essa assimetria é tão marcada na nossa espécie.
Segundo os resultados, a combinação entre o surgimento da locomoção bípede e o aumento do volume cerebral teria sido determinante para o desenvolvimento dessa preferência manual acentuada ao longo da evolução humana.
Para quem tem pressa:
Estudo com mais de 2 mil primatas aponta que humanos são outliers na força da preferência por uma das mãos, quando comparados a outras espécies;
A locomoção bípede teria liberado as mãos para novas funções, favorecendo o uso assimétrico em tarefas como manipulação de objetos;
O aumento do cérebro ao longo da evolução teria reforçado essa lateralidade, que se tornou mais forte ao longo do gênero Homo.
Como a evolução moldou a preferência pela mão direita
O estudo analisou dados de primatas vivos e também de espécies humanas ancestrais, incluindo hominínios como Ardipithecus e Australopithecus, além de Homo erectus, Neandertais e Homo sapiens. A pesquisa buscou reconstruir como a lateralidade manual teria surgido e se intensificado ao longo do tempo evolutivo.
De acordo com os pesquisadores, o hábito de caminhar sobre duas pernas liberou os membros superiores para novas funções, como o uso de ferramentas e gestos mais complexos. Essa mudança teria favorecido o desenvolvimento de uma preferência por uma das mãos em tarefas específicas.
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Além disso, o aumento do cérebro e a reorganização cortical teriam reforçado a especialização dos hemisférios cerebrais. Esse processo ampliou a eficiência de comportamentos assimétricos, especialmente após o surgimento do gênero Homo.
O estudo também indica que essa preferência não surgiu de forma abrupta. Em espécies humanas mais antigas, a lateralização seria mais fraca e teria se intensificado gradualmente até alcançar níveis elevados em Homo sapiens.
Ainda que o estudo avance na compreensão da origem da lateralidade humana, ele não encerra todas as dúvidas sobre o tema. Uma das lacunas permanece justamente na existência de uma minoria canhota, mesmo em um cenário evolutivo que parece favorecer o uso predominante da mão direita.
Em uma das declarações atribuídas aos autores da pesquisa, o pesquisador Thomas A. Püschel, identificado como autor do estudo, afirmou que “nossos resultados sugerem que isso provavelmente está ligado a algumas das principais características que nos tornam humanos, especialmente andar ereto e a evolução de cérebros maiores.”
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