Ellen Roome, mãe de Jools Sweeney, de 14 anos, disse que o governo do Reino Unido tem sido muito lento para proibir redes sociais para menores de 16 anos. Ela acredita que seu filho morreu numa tentativa de participar de um desafio que tinha viralizado no TikTok.
A mulher está entre os que terão uma reunião com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, nesta terça-feira (26). A consulta pública sobre uma possível proibição das redes sociais se encerra nesta semana. Ellen acusou o governo de “empurrar o problema com a barriga”.
“Vamos lá, tomem uma atitude, vamos nos posicionar, fazer algo, tomar uma decisão”, disse ela na edição desta terça do programa Today, da BBC Radio 4. “Não me importo se eles proibirem o acesso de adultos e crianças até que seja seguro, apenas proíbam, consertem e depois podemos devolver.”
Mãe de adolescente que pode ter morrido vítima de desafio do TikTok cobra governo e big techs
Roome defende que a pressão regulatória deve recair diretamente sobre as big techs. “Eles gastam milhões e bilhões para desenvolver o sistema. Poderiam investir parte desse dinheiro em consertá-lo e afirmar que agora é um produto seguro, e então devolvê-lo ao mercado. Mas, até que seja seguro, eu digo com toda a convicção: tirem de lá”, disse Ellen.
Em resposta às cobranças por agilidade, a presidente do Partido Trabalhista, Anna Turley, afirmou que o governo britânico vai aproveitar o momento para agir o mais rápido possível.
“Precisamos garantir que a legislação e a proteção acompanhem a evolução da tecnologia e protejam nossas crianças no futuro”, disse. “Já temos legislação em vigor que nos permite exercer esses poderes, então agiremos o mais rápido possível, pois precisamos garantir a proteção das crianças no futuro e fazer isso da maneira correta.”
O tom mais duro do debate veio do ex-secretário de Saúde, Wes Streeting. Em entrevista ao jornal The Guardian, ele comparou o funcionamento das redes sociais ao da indústria do tabaco. Ao programa Today, Streeting acusou as empresas de tecnologia de desenvolverem intencionalmente recursos viciantes.
“Eles [big techs] sabem que é prejudicial, e o modelo de negócios é voltado para atrair crianças enquanto são pequenas, viciando-as com recursos projetados para o vício, para capturar sua atenção e mantê-las em sua plataforma pelo maior tempo possível”, disse ele.
Streeting acrescentou que há “um crescente conjunto de evidências sobre o impacto dessa tecnologia na infância, seja no sono, na concentração, no aprendizado, na saúde, no bem-estar, incluindo a saúde mental”. “Os danos são evidentes, e o princípio da precaução deve ser aplicado aqui.”
O ex-secretário de Saúde disse que pedia constantemente por ações mais enérgicas a portas fechadas enquanto estava no gabinete.
“Eu defendi os mesmos argumentos dentro do governo, defendi-os no gabinete, defendi-os em várias comissões e reuniões do gabinete onde discutíamos questões relacionadas à educação e ao bem-estar, mas também à violência contra mulheres e meninas, onde acredito que, novamente, temos padrões sérios de aliciamento e comportamento prejudicial”, contou Streeting.
Como solução prática, o ex-secretário defendeu o modelo adotado pela Austrália, que baniu as redes para menores de 16 anos em dezembro de 2025, argumentando que proteger metade das crianças contra o vício já é melhor do que não proteger nenhuma.
O futuro da regulamentação no Reino Unido será definido após o balanço desta consulta pública de 12 semanas. O governo estuda desde o veto total por idade até sanções específicas contra ferramentas viciantes, o que inclui a proibição da rolagem infinita de feeds, restrições a algoritmos de recomendação personalizada e a imposição de toques de recolher obrigatórios para o uso dos aplicativos.
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