China apresenta novo medicamento experimental para tratar câncer de pulmão

Um estudo realizado na China avaliou um novo medicamento experimental contra o câncer de pulmão avançado e observou aumento da sobrevivência dos pacientes em comparação a uma imunoterapia já usada. A pesquisa envolveu doentes com câncer de pulmão de células escamosas em estágio avançado.

O tratamento com Ivonescimabe, combinado à quimioterapia, ampliou a média de vida dos pacientes e reduziu o risco de morte frente ao medicamento Tevimbra, também associado à quimioterapia. Segundo a Reuters, os dados foram apresentados no último domingo (31) em evento médico nos Estados Unidos.

A análise ocorreu em um grupo com mais de 500 pacientes e integra uma discussão global sobre novas classes de imunoterapia, em meio à expectativa de um estudo internacional que pode influenciar futuras aprovações regulatórias.

Para quem tem pressa:

Estudo com mais de 500 pacientes na China aponta a maior sobrevida com Ivonescimabe frente à imunoterapia Tevimbra em câncer de pulmão avançado;

Medicamento experimental age em dois alvos biológicos e reduziu o risco de morte em 34%, mas apresentou maior taxa de efeitos adversos graves;

Nova fase global de testes contra o Keytruda pode definir futuro regulatório da terapia em mercados como Estados Unidos e Europa.

Entendendo os efeitos da nova droga

Paciente em quimioterapia. Imagem: BrianAJackson – iStockphoto

O ensaio clínico reuniu 532 pessoas recém-diagnosticadas com câncer de pulmão de células escamosas em estágio 3 ou 4. Todos receberam quimioterapia, enquanto parte do grupo recebeu também a droga Ivonescimabe e outra parte recebeu Tevimbra. O resultado indicou média de 27,9 meses de sobrevida no grupo que usou o medicamento experimental, contra 23,7 meses no grupo comparativo.

Segundo os dados apresentados, o Ivonescimabe reduziu em 34% o risco de morte e em cerca de 40% a progressão da doença ou óbito na análise anterior do mesmo estudo. O medicamento pertence a uma classe chamada anticorpos biespecíficos, que atuam em dois alvos: a proteína PD-1, ligada à evasão do sistema imunológico, e a proteína VEGF, associada ao crescimento tumoral.

O Tevimbra, utilizado como comparação, atua apenas sobre a proteína PD-1, mecanismo semelhante ao de terapias já amplamente usadas em oncologia. A diferença entre as abordagens é um dos pontos centrais do interesse científico pelo novo composto.

Pessoa tomando remédio oral – Imagem: Yurii_Yarema/Shutterstock

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A taxa de eventos adversos graves chegou a 69% entre pacientes que receberam o medicamento experimental, contra 59% no grupo controle. A interrupção do tratamento por efeitos colaterais ocorreu em cerca de 5% dos participantes em ambos os grupos.

A pesquisa ocorreu exclusivamente na China e foi apresentada durante o encontro da Sociedade Americana de Oncologia Clínica em Chicago. Representantes da área médica destacaram que diferenças genéticas podem interferir na resposta a medicamentos, o que ainda exige confirmação em populações mais diversas.

Uma segunda etapa de estudos, com abrangência global e comparação com outro imunoterápico de referência, o Keytruda, segue em andamento. Especialistas afirmam que os resultados podem influenciar futuras decisões de aprovação em mercados internacionais, incluindo os Estados Unidos.

A empresa Akeso preserva os direitos de desenvolvimento e comercialização do medicamento na China e em parte do mercado internacional não licenciado, enquanto a Summit Therapeutics detém a exclusividade para exploração em mercados estratégicos como Estados Unidos, Europa e Japão, conforme acordo de licenciamento firmado entre as duas companhias.

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