Cometa 3I/ATLAS pode ajudar a identificar tecnologias alienígenas 

No ano passado, um visitante vindo de fora dos limites do Sistema Solar chamou a atenção da comunidade científica. Batizado de 3I/ATLAS, ele se tornou o terceiro objeto interestelar já identificado atravessando nossa vizinhança cósmica. 

A passagem do “forasteiro” não apenas despertou a curiosidade do público e o interesse dos astrônomos, como também serviu de oportunidade para testar métodos de busca por possíveis sinais de tecnologia alienígena.

Em resumo:

O cometa 3I/ATLAS é um objeto interestelar natural;

Instituto de busca por vida alienígena investigou possíveis sinais tecnológicos;

Observações não encontraram evidências de origem artificial;

Estudo ajuda a distinguir objetos naturais de possíveis anomalias;

Técnicas aprimoradas fortalecem futuras buscas por inteligência extraterrestre.

O cometa 3I/ATLAS registrado em 19 de dezembro de 2025 com o iTelescope T24, com tempo de integração de 15 minutos, a partir do Observatório Remoto Sierra em Auberry, Califórnia, EUA. – Crédito: Eliot Herman via Spaceweather.com

Uma investigação conduzida por pesquisadores ligados ao SETI Institute, organização dedicada à procura de evidências de vida inteligente fora da Terra, teve por objetivo verificar se o objeto emitia algum tipo de sinal de rádio incomum que pudesse indicar uma origem artificial. Como esperado pelos cientistas, nada desse tipo foi encontrado, mas o estudo trouxe informações importantes para futuras pesquisas.

Conhecer objetos interestelares ajuda a identificar anomalias 

Detectado em julho de 2025 por um telescópio que integra o projeto ATLAS (sigla em inglês para Sistema de Alerta Antecipado para Impactos de Asteroides na Terra), no Chile, o 3I/ATLAS foi batizado assim exatamente por isso: “3I” indica que se trata do terceiro objeto interestelar confirmado pelos astrônomos mais nome do programa responsável pela identificação.

Os dois visitantes anteriores foram o asteroide 1I/’Oumuamua, observado em 2017, e o cometa 2I/Borisov, descoberto em 2019. As análises realizadas até hoje sugerem que todos eles são corpos naturais, formados em outros sistemas estelares e lançados ao espaço interestelar após interações gravitacionais com planetas ou estrelas.

O conjunto de telescópios Allen do Instituto SETI, no norte da Califórnia, busca sinais de rádio que possam ter sido gerados por vida extraterrestre inteligente. – Crédito: Instituto SETI

Embora tudo indique que o 3I/ATLAS tenha origem natural, cientistas acreditam que investigar esses visitantes interestelares é essencial para ampliar o conhecimento sobre objetos vindos de outras partes da Via Láctea. Em um comunicado nesta quarta-feira (3), a astrônoma Sofia Sheikh, do SETI, disse que conhecer melhor as características naturais dos visitantes interestelares permite criar uma base de comparação para futuras descobertas. 

A cientista lembra ainda que a própria humanidade já enviou artefatos para o espaço interestelar. As sondas Voyager, lançadas na década de 1970, estão deixando a região dominada pelo Sol e, em um futuro distante, poderão ser detectadas por observadores em outros sistemas estelares. “Dado isso, é importante que entendamos a distribuição natural dos objetos interestelares para que possamos identificar quaisquer anomalias que um dia possam ser sinais de um objeto interestelar artificial.”

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200 sinais emitidos pelo 3I/ATLAS foram investigados a fundo

Para o estudo, a equipe utilizou o Allen Telescope Array, localizado na Califórnia, EUA. Durante mais de sete horas de observações, os cientistas monitoraram o cometa em busca de sinais de rádio de banda estreita, um tipo de emissão frequentemente considerado um possível indicador de atividade tecnológica.

Os equipamentos registraram cerca de 74 milhões de sinais ao longo da análise. Após a remoção de interferências causadas por satélites, equipamentos terrestres e outras fontes conhecidas, restaram aproximadamente 200 eventos que mereceram investigação mais aprofundada. No entanto, todos acabaram sendo explicados por fenômenos ligados à atividade humana.

Publicado na revista científica The Astronomical Journal, o estudo reforça a conclusão de que o 3I/ATLAS é um objeto natural. Apesar disso, os pesquisadores destacam que a experiência ajudou a aperfeiçoar técnicas de observação e mostrou que a tecnologia atual já é capaz de realizar buscas cada vez mais sensíveis por possíveis sinais de inteligência além da Terra.

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