Conheça a ‘cidade falsa’ criada pelo FBI usada contra ciberataques

O FBI construiu uma cidade cenográfica dentro de seu campus em Huntsville, nos Estados Unidos, para treinar agentes no combate a ciberataques reais. A estrutura simula uma comunidade completa e funciona como um campo de testes para investigações digitais.

A ideia é aproximar o treinamento da rotina real de investigação, mas ainda dentro de um ambiente totalmente controlado, explica o TechCrunch.

FBI recria cidade cenográfica em Huntsville para simular ciberataques e treinar agentes contra crimes digitais em ambiente controlado. Imagem: Reprodução/Youtube – Imagem: Reprodução/Youtube

Uma cidade inteira feita para simular ciberataques

Batizada de Kinetic Cyber Range, a instalação tem cerca de 2.044 metros quadrados e foi inaugurada em fevereiro de 2025. O espaço reproduz uma cidade norte-americana completa, com casas, hotel, supermercado, hospital, tribunal, posto de gasolina e até empresa de energia.

O FBI informa que mais de 1.400 pessoas já passaram pelo treinamento no local, incluindo agentes federais e parceiros de outras agências. Em alguns cenários, a sensação é de uma cidade comum em funcionamento — até que os exercícios de ataque começam.

casas totalmente mobiliadas e em uso simulado

hospital, hotel e supermercado operando em cenário realista

ruas com semáforos e circulação controlada

data center com mais de 200 servidores físicos

ambiente isolado para conter ataques simulados

Casas, hospital e até supermercado: FBI monta cidade inteira para simular ataques hackers e preparar investigações reais. Imagem: Reprodução/Youtube – Imagem: Reprodução/Youtube

Treino prático contra ransomware e crimes reais

O foco principal das atividades são ataques de ransomware e outras ameaças capazes de paralisar serviços essenciais. O treinamento tenta reproduzir justamente o momento em que sistemas críticos deixam de funcionar e as decisões precisam ser rápidas.

O relatório de Crimes na Internet de 2025 citado pelo FBI aponta mais de US$ 20,9 bilhões (cerca de R$ 104 bilhões) em prejuízos causados por crimes cibernéticos nos Estados Unidos, um aumento de 26% em relação ao ano anterior.

Dentro do “data center de treinamento”

A cidade simulada também conta com um data center equipado com mais de 200 servidores rodando sistemas como Windows e Linux. Esses ambientes reproduzem cenários comuns em empresas reais, usados em investigações e simulações de invasões.

O agente Dave Beachboard, responsável pelo programa, descreve o ambiente de forma bastante direta: “São frios, apertados, barulhentos, escuros e miseráveis”, afirmou no relatório do FBI.

Esse tipo de detalhe ajuda a entender por que o treinamento não é apenas técnico, mas também psicológico — a pressão faz parte do cenário.

Dentro da cidade simulada do FBI, agentes enfrentam cenários de ataque digital com mais de 200 servidores e sistemas reais. Imagem: Reprodução/Youtube – Imagem: Reprodução/Youtue

Perícia digital e controvérsias

Além dos ataques simulados, o espaço também é usado para treinar perícia digital — técnica que permite acessar dados em dispositivos criptografados durante investigações.

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Essas ferramentas seguem cercadas de debate porque podem explorar falhas ainda não conhecidas por fabricantes como Apple e Google, permitindo acesso a informações protegidas.

Um laboratório de guerra digital em escala real

O Kinetic Cyber Range mostra como o FBI vem investindo em treinamentos cada vez mais realistas para enfrentar o avanço dos crimes digitais. A cidade simulada ajuda a expor agentes a decisões rápidas, sob pressão e em cenários que mudam de forma imprevisível.

No fim, a iniciativa deixa uma impressão clara: o cibercrime deixou de ser algo abstrato. Hoje, ele exige preparo quase físico, como se estivesse acontecendo dentro de uma cidade real — mesmo quando tudo é apenas simulação.

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