Conteúdo adulto burla IA do Instagram e chega a menores, aponta Folha

Dezenas de perfis no Instagram exibem conteúdo sexualmente explícito há pelo menos três meses, burlando os sistemas de moderação da plataforma e acumulando milhões de visualizações. O material chega a usuários cadastrados como menores de idade, mesmo com todas as ferramentas de proteção ativas, segundo investigação publicada pela Folha de S. Paulo.

Em testes realizados pelo jornal com dez perfis que divulgavam o material, sete exibiram conteúdo explícito para uma conta cuja idade cadastrada era de 16 anos. Apenas três exibiram aviso de restrição para menores.

Como a IA de moderação é enganada

O algoritmo de recomendações do Instagram amplifica o alcance do conteúdo mesmo quando o usuário não segue as contas de origem. Segundo especialistas ouvidos pela Folha, os perfis usam técnicas de sobreposição de vídeos para confundir os sistemas automatizados de detecção.

“Conteúdo explícito é fácil de detectar se existe uma só mídia, mas quando há múltiplas mídias gera uma confusão”, explicou Arlindo Galvão, professor de inteligência artificial da Universidade Federal de Goiás, ao jornal.

Os modelos de IA de moderação analisam pixels em busca de padrões – e a sobreposição de camadas de vídeo quebra esses padrões, dificultando a identificação.

“É sempre uma corrida de gato e rato: o detector se aperfeiçoa, e quem quer burlar se adapta para escapar”, disse Anderson Tavares, professor de ciência da computação da UFRGS, à Folha.

Profissionais de tecnologia consultados pela reportagem identificaram malwares nos links associados às publicações. Ou seja, o risco não é só de exposição a conteúdo inapropriado, mas também de invasão de dispositivos e roubo de dados.

O que diz a Meta

A empresa afirmou à Folha que removeu de forma proativa 96% das publicações que violavam suas políticas contra exploração sexual infantil e 92% das publicações com nudez entre outubro e dezembro de 2025. Disse também que, desde março, limita automaticamente o acesso de usuários entre 13 e 17 anos a conteúdo sensível.

Os perfis indicados pela Folha foram encaminhados para moderação e removidos na sequência, segundo a assessoria da empresa.

O que diz a lei

O ECA Digital – Lei 15.211/2025 – exige que plataformas ofereçam sistemas projetados para impedir que crianças e adolescentes encontrem conteúdos ilegais e pornográficos.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) informou que, ficando comprovada falha no cumprimento desse dever, a conduta é passível de punição.

O Instagram oferece ferramentas de supervisão parental que permitem monitorar tempo de tela, gerenciar privacidade e restringir conteúdo sensível em contas de usuários entre 13 e 17 anos. O recurso exige que o adolescente aceite o convite de supervisão do responsável.

Para denunciar publicações com conteúdo inapropriado, acesse os três pontos na publicação e selecione “Denunciar” – escolhendo a opção “Nudez ou atividade sexual.”

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