Coceira e descamação que não passam podem indicar psoríase; entenda os gatilhos

Descamação persistente no couro cabeludo, placa avermelhada nos cotovelos ou aquela coceira que insiste em voltar nem sempre são apenas sinais de ressecamento. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 3% da população mundial convive com a psoríase, uma doença crônica que, vale dizer logo de cara, não é contagiosa. O tema ganhou ainda mais visibilidade nos últimos anos, quando famosas como Kim Kardashian, Beyoncé e Kelly Key compartilharam publicamente suas experiências com a condição.

Apesar de relativamente comum, a psoríase ainda é cercada de mitos e desinformação. Muitas pessoas demoram a procurar ajuda ou convivem com o desconforto sem entender o que está acontecendo com a própria pele.

Os sinais da psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune. Isso significa que o sistema de defesa do organismo passa a atacar as próprias células da pele, acelerando sua renovação e provocando lesões características.

“Os sinais mais típicos são placas avermelhadas com escamas esbranquiçadas ou prateadas, que podem coçar, arder ou rachar”, explica Larissa Wood Fraga, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e dermatologista no Instituto Fraga de Dermatologia, em entrevista à AnaMaria.

As lesões aparecem com mais frequência no couro cabeludo, cotovelos, joelhos, região lombar e unhas, mas podem surgir em praticamente qualquer parte do corpo. Dependendo da área afetada, os sintomas também mudam. Nas unhas, por exemplo, podem surgir manchas e descolamentos. Já no couro cabeludo, a descamação costuma ser mais intensa.

Emocional que se manifesta na pele

Conviver com lesões visíveis pode impactar a autoestima, a vida social e até a saúde mental. Muitas pessoas relatam constrangimento ao usar determinadas roupas ou frequentar ambientes como praias e piscinas.

Existe uma relação direta entre as emoções e a evolução da doença. “O estresse libera hormônios e substâncias inflamatórias que desequilibram o sistema imunológico, intensificando o processo inflamatório da doença”, afirma a dermatologista.

Com isso, forma-se um ciclo que pode ser difícil de interromper: a psoríase gera preocupações e inseguranças, enquanto o estresse pode favorecer novas crises. Por isso, especialistas consideram que o cuidado emocional faz parte do tratamento.

Desafio das baixas temperaturas

Quem enfrenta essa condição pode perceber uma piora dos sintomas nos meses mais frios do ano. “O frio e o ar seco ressecam a pele e comprometem a barreira cutânea, favorecendo a inflamação”, diz Larissa.

A situação pode ser agravada pela menor exposição ao sol. A radiação UVB possui efeito anti-inflamatório conhecido e, inclusive, é utilizada em tratamentos específicos para a doença. Com menos horas de sol e mais tempo em ambientes fechados, esse efeito benéfico tende a diminuir.

Coceira e descamação que não passam podem indicar psoríase; entenda os gatilhos – Crédito: pexels/Jessica Keli Alves

Entenda por que o inverno exige mais atenção

A estação costuma reunir fatores que favorecem o aparecimento ou agravamento das lesões:

Frio e baixa umidade do ar;
Menor exposição solar;
Banhos muito quentes e demorados;
Uso de roupas que irritam a pele;
Ambientes aquecidos e mais secos;
Relaxamento da rotina de hidratação.

Pequenas mudanças no dia a dia podem ajudar a preservar a barreira natural da pele e reduzir desconfortos.

Como reduzir as crises

A doença tem comportamento cíclico, alternando períodos de melhora e de crises. Por isso, o acompanhamento médico contínuo é importante mesmo quando os sintomas parecem controlados.

Além de seguir o tratamento indicado pelo dermatologista, vale observar os fatores que costumam desencadear pioras. Entre eles estão infecções, consumo excessivo de álcool, tabagismo, estresse e até pequenos traumas na pele.

Nos casos mais leves, reforçar a hidratação diária e evitar banhos muito quentes costuma ajudar a atravessar o inverno com menos desconforto. Já quadros moderados ou graves podem exigir ajustes terapêuticos ao longo da estação.

É hora de procurar um especialista?

Nem toda mudança na pele significa uma crise de psoríase, mas alguns sinais merecem atenção. O aumento do número de placas, o surgimento de lesões em novas áreas do corpo, coceira intensa, ardência e dores nas articulações indicam a necessidade de avaliação médica. Além disso, a psoríase pode ser confundida com dermatites, alergias e até micoses, o que torna o diagnóstico especializado fundamental. 

Quanto mais cedo a psoríase é identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1526, de 19 de junho de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader

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