Jovem, sarado e infartando: por que a geração que malha e suplementa ainda sofre do coração?

Nunca se falou tanto sobre longevidade, treino e suplementação quanto hoje. Relógios inteligentes monitoram passos, a busca por rotinas fitness cresce e o acesso a exames é amplo. No entanto, as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no planeta, matando cerca de 17,9 milhões de pessoas ao ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para a Dra. Fernanda Weiler, cardiologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, existe uma confusão perigosa entre estética e saúde cardiovascular integral. “O coração não sabe quantos quilômetros você correu ou quantas horas passou na academia. Ele responde ao conjunto da sua rotina. Estar em forma não elimina fatores de risco que podem permanecer silenciosos por anos”, destaca a médica.

Por que a geração fitness continua infartando?

O aumento de eventos cardíacos e AVCs em adultos jovens está associado a um estilo de vida que combina alta performance física com desequilíbrios ocultos.

Entre os principais vilões da rotina contemporânea, destacam-se:

Falsa proteção do exercício: o treino de alta intensidade não compensa noites mal dormidas, má alimentação ou estresse crônico.

Uso indiscriminado de pré-treinos e estimulantes: o consumo de suplementos para aumentar o rendimento sem acompanhamento pode desencadear arritmias e picos de pressão arterial.

Confiança excessiva em exames isolados: ter resultados “normais” em exames laboratoriais básicos não substitui uma avaliação de risco cardiovascular personalizada e detalhada.

Sedes de estresse e privação de sono: considerar o esgotamento mental algo “normal” eleva o cortisol e danifica os vasos sanguíneos.

6 sinais de que sua saúde cardiovascular precisa de atenção

De acordo com a especialista, se você se identifica com os pontos abaixo, é hora de procurar uma avaliação médica aprofundada:

Treino em dia, mas sono ruim: malhar com frequência, mas dormir pouco ou acordar constantemente cansado.

Falta de avaliação individualizada: fazer check-ups genéricos sem calcular o risco cardiovascular real.

Uso de estimulantes sem prescrição: tomar pré-treinos, termogênicos ou suplementos por conta própria.

Estresse normalizado: encarar a ansiedade e a pressão diária como inevitáveis.

Histórico na família: ter parentes de primeiro grau com histórico de infarto, AVC ou morte súbita.

Mito do corpo perfeito: acreditar que a ausência de gordura corporal impede o surgimento de doenças nas artérias.

Em suma, cuidar do coração vai muito além do que aparece no espelho ou no painel da esteira. O equilíbrio entre descanso, manejo do estresse e acompanhamento médico é o verdadeiro segredo para viver mais e melhor!

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