As férias de julho acabaram e muita gente já voltou à rotina.
Mas, para quem sonha em viajar no Natal, no Réveillon ou nas próximas férias de verão, agosto não é cedo demais para pensar nisso.
Pelo contrário: é justamente agora que o planejamento deveria começar.
O turismo brasileiro continua aquecido.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as atividades turísticas cresceram 4,6% em 2025 e atingiram o maior patamar da série histórica.
No mesmo período, a aviação brasileira transportou 130 milhões de passageiros, um recorde nacional, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.
Depois de mais de 40 anos trabalhando com turismo internacional, aprendi que uma viagem bem-sucedida começa muito antes do embarque.
Começa com informação, planejamento e boas escolhas.
E antecedência não significa comprar tudo correndo.
Significa justamente o contrário: ter tempo para decidir melhor.
Planejar antes pode significar gastar menos
Natal, Réveillon e férias escolares estão entre os períodos de maior procura.
Conforme essas datas se aproximam, encontrar a hospedagem desejada, bons horários de voo ou disponibilidade em determinadas atrações pode se tornar mais difícil.
Começar agora permite pesquisar, acompanhar preços, organizar documentos, observar o câmbio e, principalmente, distribuir os gastos ao longo dos próximos meses.
Mas existe algo que sempre explico aos meus clientes: economizar em uma viagem não é apenas pagar menos pela passagem.
Um roteiro mal organizado pode fazer você gastar muito dinheiro sem perceber.
São transportes desnecessários, atrações compradas sem planejamento, reservas que não combinam entre si e horas preciosas perdidas indo de um lado para o outro da cidade.
Cuidado com o quebra-cabeça das redes sociais
Hoje existe outro fenômeno que vejo acontecer com muita frequência.
A pessoa abre o Instagram e salva um restaurante.
Entra no TikTok e encontra um passeio imperdível.
Alguém indica um museu.
Depois aparece aquele café lindo, uma loja, um observatório, um bairro que “todo mundo precisa conhecer”.
Quando percebe, passou meses salvando vídeos, fotos e endereços e tem nas mãos um enorme quebra-cabeça de viagem.
O problema não é ter informação.
É não saber como organizá-la.
O que fica perto de quê? O que realmente combina com o seu perfil? Quantas atrações cabem naquele dia? Vale atravessar a cidade para conhecer determinado lugar?
Existe uma experiência melhor perto de onde você já estará?
É aí que o conhecimento de quem conhece o destino faz diferença.
Um bom roteiro não é uma lista de lugares famosos.
Ele considera localização, deslocamentos, horários, idade dos viajantes, interesses, orçamento e ritmo de cada pessoa.
Uma família com crianças não viaja como um casal.
Um grupo de amigas tem interesses diferentes de quem viaja sozinho.
E uma mulher acima dos 50 anos pode querer viver Nova York de uma maneira completamente diferente daquela sugerida por um roteiro genérico encontrado na internet.
Agosto mais planejamento, menos perrengue
Para mim, planejamento não serve para engessar uma viagem.
Serve justamente para dar liberdade.
Quando você sabe onde estará, entende as distâncias, tem as principais reservas organizadas e conhece as possibilidades daquela região, sobra espaço até para mudar de ideia.
E sobra algo ainda mais precioso: tempo.
Tempo para sentar em um café que você encontrou pelo caminho.
Para entrar naquela lojinha que não estava no roteiro.
Para ficar mais alguns minutos olhando uma paisagem.
Para conversar.
Para descansar.
Para viver.
Por isso, se você pretende viajar no fim do ano, minha recomendação é simples: comece agora.
Defina quanto pode investir, confira documentos e passaporte, pesquise passagens e hospedagens e pense no tipo de experiência que deseja viver.
Porque a melhor viagem não é aquela em que você consegue conhecer o maior número de lugares.
É aquela em que você volta para casa pensando: eu aproveitei cada minuto.
E essa sensação começa muito antes de fazer as malas.





