Depois dos 50, viajar também pode ser uma forma de cuidar de si

Quando pensamos em autocuidado, normalmente lembramos de alimentação, atividade física, sono, consultas médicas e daqueles pequenos momentos que reservamos para nós mesmas.
Mas, depois de mais de 40 anos trabalhando com turismo, aprendi que existe outra experiência que também pode ocupar um lugar muito especial nessa lista: viajar.
Não porque uma passagem aérea resolva problemas ou porque fazer as malas seja uma receita para a felicidade. Não é isso.

Saúde mental é coisa séria e, quando é preciso, exige acompanhamento profissional.
Mas viajar pode nos oferecer algo de que muitas vezes sentimos falta na rotina: novidade, curiosidade, convivência, movimento e a oportunidade de olhar para a vida por outro ângulo.
E talvez isso tenha um significado ainda mais especial depois dos 50.

Viajar depois dos 50: um convite para redescobrir a si mesma

Durante muitos anos, nós, mulheres, aprendemos a organizar a vida em torno de outras pessoas. Filhos, marido, pais, trabalho, casa, compromissos. Quantas vezes adiamos uma vontade porque alguém precisava de nós?
Até que chega uma fase em que uma pergunta começa a aparecer: e o que eu ainda quero viver?
Pode ser conhecer Nova York pela primeira vez.
Voltar à cidade que marcou a juventude. Fazer uma viagem com as amigas.
Conhecer a Itália, experimentar um prato cujo nome você nem consegue pronunciar ou entrar em uma padaria em outro país e tentar pedir um café misturando três palavras do idioma local com gestos e muitas risadas.
Pode ser também viajar sozinha.

Há uma sensação muito particular em chegar a um lugar onde tudo é novo.
Precisamos prestar atenção nas ruas, observar costumes, experimentar sabores, aprender algumas palavras, conversar com pessoas diferentes e descobrir como as coisas funcionam.
De repente, saímos do automático.
E eu acredito que esse é um dos presentes mais bonitos de uma viagem: ela desperta novamente a nossa curiosidade.
Não precisamos falar outro idioma perfeitamente para tentar um “bom dia”, um “obrigada” ou perguntar quanto custa alguma coisa. Não precisamos conhecer gastronomia para provar um prato típico. Nem precisamos ter companhia para decidir conhecer um lugar que sempre esteve na nossa lista.

Viajar no seu ritmo também é uma forma de autocuidado
Também não precisamos transformar a viagem em uma maratona.
Depois dos 50, principalmente, defendo cada vez mais em roteiros que respeitem o nosso ritmo.
Há dias em que o melhor programa pode ser simplesmente sentar em um café, observar a cidade e conversar.
Em outros, caminhar bastante, visitar museus, fazer compras ou conhecer lugares que estavam guardados havia anos na nossa imaginação.
Uma viagem memorável não é medida pela quantidade de atrações que conseguimos riscar de uma lista. É medida pelo que sentimos e levamos conosco quando voltamos para casa.
E viajar acompanhada também pode ser uma experiência poderosa.

Uma viagem entre amigas cria histórias que provavelmente serão repetidas por muitos anos. Há cumplicidade, conversa, gargalhadas, descobertas e até aqueles pequenos imprevistos que depois se transformam nas melhores lembranças.
No mês de Setembro Amarelo, quando somos convidados a falar mais sobre saúde mental e sobre a importância do cuidado, gosto de lembrar que cuidar de nós mesmas também passa por reconhecer aquilo que nos faz bem.
Para algumas pessoas será estar perto da família. Para outras, praticar um esporte, encontrar as amigas, voltar a estudar, começar um hobby ou simplesmente descansar.
E, para muitas de nós, pode ser colocar uma mala no chão, escolher um destino e dizer: agora também é a minha vez de viver novas histórias.
Depois dos 50, ainda existem muitos lugares para conhecer.
Mas talvez a descoberta mais bonita de uma viagem seja perceber que ainda existem muitas versões de nós mesmas para conhecer também.