As belezas “esquecidas” de Bragança, no nordeste de Portugal

Chegar a Bragança é mais fácil do que pode parecer, mas a distância dos principais centros urbanos ainda mantém a cidade de pouco menos de 35 mil habitantes, no extremo nordeste de Portugal, fora do roteiro de muitos turistas. De Lisboa, são cerca de seis horas de ônibus; do Porto, aproximadamente três. Não há ligação ferroviária com a cidade.

Situada na histórica região de Trás-os-Montes, na fronteira com a Espanha, Bragança acabou se tornando um hit em tempos recentes justamente por não ser tão visitada assim. O destino é uma alternativa para conhecer um pouco mais da história portuguesa em uma das áreas negligenciadas pelos roteiros mais percorridos no interior do país.

O Castelo de Bragança e o imperdível Domus Municipalis

Estabelecido a partir do século 12 pelo rei Sancho I, o Castelo de Bragança é um dos marcos mais característicos no centro histórico da cidade. Considerada uma das fortificações mais bem preservadas de Portugal, a cidadela é um Monumento Nacional desde 1910, com suas muralhas espessas reforçadas por 15 torres.

Torre da Menagem é a mais conhecida do Castelo de BragançaDantadd/Wikimedia Commons

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A mais famosa é a Torre de Menagem, dos anos 1430, a principal da fortaleza e o grande símbolo de Bragança – a conclusão da estrutura é considerada o marco responsável por fazer a localidade ser elevada de vila à condição de cidade ainda no século 15.

Mas quem passa por lá também vai ouvir muito falar da Torre da Princesa: por ali, passaram nomes como Dona Leonor, esposa do quarto duque de Bragança, presa (diz-se que de forma injusta) por adultério – ela mais tarde seria assassinada pelo marido, Dom Jaime. A história talvez tenha inspirado a lenda em torno da fortificação, que fala sobre uma princesa órfã que recusou todos os pretendentes bem nascidos indicados pelo tio, insistindo no amor com um cavaleiro pobre, que a condenou ao encarceramento na torre pelo resto da vida.

Domus Municipalis, em BragançaLídia Maria Faria/Wikimedia Commons

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Dentro da fortaleza, além das histórias reais e mitos, também há uma atração arquitetônica que não passa batida: o Domus Municipalis, uma estrutura pentagonal que ao longo da história foi usada como cisterna e também sediou, no piso superior, reuniões da administração municipal de Bragança.

A estrutura é considerada o único exemplo sobrevivente de arquitetura civil em estilo românico em toda a Península Ibérica – traços surgidos na Idade Medieval com referências a antigos edifícios romanos e bizantinos, mas que praticamente só ficaram preservados em templos religiosos.

Belezas naturais e culturais

A região de Bragança é famosa pela tradição dos caretos, um Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade desde 2019: com máscaras, trajes coloridos e chocalhos na cintura, pessoas fantasiadas percorrem as ruas para marcar a chegada do fim do inverno, uma festa observada de forma concomitante ao Entrudo, no Carnaval. A tradição vive em toda a área, mas é mais famosa na localidade de Podence, cerca de meia hora ao sul de Bragança.

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Sem sair da cidade, mais detalhes dessa prática podem ser conhecidos no Museu Ibérico da Máscara e do Traje, que reúne elementos dos caretos locais e também das festas tradicionais de caráter similar que ocorrem do outro lado da fronteira, no distrito espanhol de Zamora.

Paisagem do Parque Natural de MontesinhoMiguel Vieira/Wikimedia Commons

Dirigindo-se para o limite com a Espanha, aliás, quem deseja conhecer outros aspectos únicos da cultura local faz bem em visitar as famosas aldeias “raianas” (“A Raia” é toda a linha fronteiriça que divide os países), com destaque para Rio de Onor: com menos de uma centena de habitantes, o lugarejo ainda preserva o dialeto “rionorês”, uma espécie de portunhol próprio dessa parte do mundo. A vila inclusive chegou a ser eleita uma das 7 Maravilhas de Portugal, na categoria “Aldeias”.

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Amantes da natureza também têm atrações a encontrar no lado bragantino do mapa. A pedida é visitar o Parque Natural de Montesinho, que ocupa 75 mil hectares no extremo norte da região, com direito a paisagens serranas que se aproximam dos 1,5 mil metros de altitude.

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