Celulite sazonal existe? Entenda por que os furinhos parecem mudar ao longo do ano 

Com a primavera e a proximidade do verão, vestidos, shorts e biquínis voltam a ganhar espaço no guarda-roupa. É também nessa época que muitas mulheres começam a observar o próprio corpo com mais atenção e percebem detalhes que antes passavam despercebidos. Entre eles, a celulite, que parece ficar mais evidente nos dias quentes.

Mas será que os furinhos realmente aumentam conforme a estação? A dúvida deu origem à expressão celulite sazonal, usada para descrever essa percepção de mudança ao longo do ano. Embora o nome sugira uma relação direta com o clima, a explicação envolve outros fatores, inclusive a maneira como enxergamos nossa pele.

Celulite sazonal existe mesmo?

A verdade é que não há evidências suficientes para afirmar que a celulite piora automaticamente durante o verão. A iluminação, a posição do corpo e até a frequência com que observamos determinadas regiões podem influenciar sua aparência.

“Quando a mulher diz que a celulite piorou, é importante entender o que mudou para ela. Pode ser que tenha notado uma alteração, mas também que tenha começado a prestar mais atenção nas coxas e nos glúteos ao pensar em uma viagem ou em usar roupas mais curtas. A queixa é real; o exame é que vai mostrar se houve uma mudança nos tecidos”, explica o médico Roberto Chacur.

Essa percepção também conversa com questões de imagem corporal. Uma pesquisa publicada na revista científica Eating and Weight Disorders, que analisou cerca de 12 milhões de publicações no X, identificou mais manifestações de insatisfação corporal durante o verão no Hemisfério Norte. Os pesquisadores, porém, não confirmaram estatisticamente o mesmo padrão no Hemisfério Sul.

Vale destacar que o estudo não investigou especificamente a celulite sazonal, mas ajuda a entender como diferentes épocas podem influenciar a atenção dedicada à aparência.

O que provoca os furinhos na pele?

Ao contrário do que muita gente imagina, a celulite não depende exclusivamente do acúmulo de gordura. Sua aparência também envolve estruturas chamadas septos fibrosos, pequenas faixas de tecido que conectam camadas abaixo da pele.

Quando essas estruturas exercem tração, surgem depressões que formam os conhecidos furinhos. A flacidez também pode acentuar as irregularidades.

A aparência da celulite envolve diferentes características dos tecidos, o que explica por que nem todas as pessoas respondem da mesma maneira aos tratamentos.

Por isso, observar a pele em diferentes posições pode ajudar a perceber variações na aparência, mas apenas uma avaliação profissional pode identificar suas características.

Tratamentos exigem avaliação e expectativas realistas

Para quem considera um tratamento para celulite, o primeiro passo é entender o que provoca as irregularidades. Quando existe flacidez, o especialista pode avaliar procedimentos voltados à firmeza. Já a subcisão busca liberar os septos fibrosos responsáveis por determinadas depressões.

“Alguns tratamentos podem provocar inchaço, sensibilidade ou hematomas, por isso a antecedência ajuda a organizar os cuidados e acompanhar a evolução. O objetivo é buscar uma melhora possível para cada caso, sem prometer que toda a celulite desaparecerá”, afirma Chacur.

A Academia Americana de Dermatologia também destaca que os resultados variam conforme o procedimento e podem ser temporários.

Mais importante que correr atrás de um tratamento para celulite antes do verão é compreender que os furinhos são comuns e não representam, por si só, um problema de saúde. 

Resumo: 

Com a chegada dos dias quentes, muitas mulheres começam a reparar mais na aparência das coxas e dos glúteos. Mas será que a mudança de estação realmente interfere nos furinhos? Um especialista esclarece essa dúvida e explica o que merece atenção.

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