Câncer de mama na família: os sinais que podem indicar uma predisposição hereditária

O diagnóstico de câncer de mama pode levantar uma dúvida que vai além da saúde de quem enfrenta a doença: será que outras pessoas da família também correm um risco maior? Embora nem todos os casos tenham origem hereditária, algumas alterações genéticas podem passar de pais para filhos e aumentar a predisposição ao câncer.

Por isso, conhecer o histórico de saúde da família faz diferença. Saber se mães, avós, irmãs ou outros parentes tiveram câncer, e em que idade receberam o diagnóstico, ajuda os especialistas a identificar situações que merecem uma investigação mais aprofundada.

Neste Outubro Rosa, o câncer hereditário ganha destaque com uma novidade importante no Brasil: a incorporação de uma tecnologia de investigação genética ao SUS. O avanço amplia as possibilidades de identificar alterações associadas à doença e pode contribuir para os cuidados de diferentes gerações da mesma família.

Como identificar sinais de câncer hereditário na família?

O histórico familiar é um dos primeiros pontos que os especialistas analisam. Segundo o médico geneticista Paulo Zattar Ribeiro, alguns padrões merecem atenção, principalmente quando diferentes parentes apresentam determinados tipos de tumor.

Entre os principais sinais estão:

Diagnóstico em idade jovem: casos de câncer de mama antes do esperado podem justificar investigação.
Vários familiares com câncer: ocorrências de tumores de mama ou ovário entre parentes merecem avaliação.
Câncer de mama em homens: apesar de menos frequente, também pode indicar predisposição hereditária.
Tumores nas duas mamas: dependendo do histórico clínico, podem reforçar a necessidade de investigação.
Alteração genética conhecida: a identificação de uma variante hereditária na família permite avaliar outros parentes.

“É importante não transformar o histórico familiar em motivo de pânico. A presença de casos de câncer na família é um sinal para investigar melhor, e não um diagnóstico de câncer hereditário”, explica Ribeiro.

Câncer de mama na família: os sinais que podem indicar uma predisposição hereditária – Crédito: FreePik

Novo teste genético no SUS amplia a investigação

Em 2026, o Ministério da Saúde incorporou ao SUS o sequenciamento de nova geração (NGS), tecnologia utilizada para identificar alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 em mulheres com câncer de mama, conforme os critérios de indicação.

Esses genes participam do reparo do DNA. Algumas alterações podem aumentar a predisposição ao desenvolvimento de tumores, incluindo os de mama e ovário.

A novidade chega em um cenário preocupante. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028. 

O teste genético pode contribuir para decisões sobre acompanhamento e tratamento. Além disso, quando identifica uma alteração hereditária, permite investigar familiares por meio do chamado teste em cascata.

“Quando identificamos uma alteração genética associada ao câncer hereditário, não estamos olhando apenas para o paciente que recebeu o diagnóstico”, afirma o geneticista.

Quem precisa fazer o teste genético?

Nem todas as mulheres com casos de câncer na família precisam realizar o exame. Primeiro, o médico avalia o histórico pessoal, os parentes afetados e a idade em que receberam o diagnóstico.

Quando necessário, a paciente passa por aconselhamento genético, que ajuda a definir a indicação do teste genético e interpretar seus resultados.

Vale lembrar que a investigação não substitui a mamografia nem os demais cuidados de rastreamento. Da mesma forma, um resultado negativo não elimina completamente o risco de desenvolver a doença.

“Genética não é uma sentença. É uma informação que precisa ser interpretada junto com a história clínica e familiar”, reforça Ribeiro.

Por isso, mulheres com histórico familiar de câncer devem informar ao médico quais parentes tiveram a doença, o tipo de tumor e a idade do diagnóstico. Esses dados ajudam a determinar se existe indicação de avaliação especializada.

Resumo:

O câncer hereditário pode aumentar a predisposição ao desenvolvimento de determinados tumores em integrantes da mesma família. Casos de câncer de mama em idade jovem, múltiplos diagnósticos familiares e alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem justificar uma investigação genética. Em 2026, o SUS incorporou uma tecnologia para identificar essas alterações em mulheres com câncer de mama, conforme critérios específicos. O exame pode orientar o acompanhamento e a avaliação de familiares.

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