“Tufo” é o nome dado a uma rocha vulcânica macia, presente em diferentes partes do mundo, e a facilidade de esculpi-la rendeu alguns dos rastros arqueológicos mais peculiares do mundo – na Ilha de Páscoa, os moais são feitos com esse tipo de pedra. Já em Göreme, na região turca da Capadócia, são cavernas e “chaminés” que o passar do tempo ajudou a construir no tufo.
Hoje, o turismo nessa parte da Turquia é fortemente influenciado pelo que humanos e a própria natureza fizeram com as rochas vulcânicas. Mas não são só as antigas cavernas que funcionavam como verdadeiras cidades subterrâneas (e hoje guardam os cave hotels, onde é possível se hospedar, em uma experiência inusitada) que atraem visitantes para a Capadócia: vales históricos com trilhas relativamente fáceis e o espetáculo dos balões no céu, que colorem o amanhecer e rendem uma cena imperdível mesmo para quem não deseja voar, são parte da fama dessa parte do mundo.
Conheça algumas das belezas de Göreme.
Balões sobre os vales da CapadóciaGiuseppe Mondì/Unsplash
Parque Nacional Histórico de Göreme
Um Patrimônio da Humanidade inscrito pela Unesco em 1985, esse parque reúne os principais registros de ocupação subterrânea na Capadócia. Pesquisas apontam que a região começou a receber esse tipo de habitantes no século 4, momento em que comunidades cristãs se refugiaram nos vales para escapar de perseguições romanas.
Aproveitando a maciez do tufo, eles converteram essas rochas em moradias que se interligavam em extensas cidades sob a terra. Não só em Göreme – na antiguidade, chamada Korama – é possível ver esse tipo de ocupação: áreas próximas, como Derinkuyu, também serviram como refúgio em períodos de conflito. A tradição local garante que até 20 mil pessoas podiam habitar simultaneamente esses espaços.
Afrescos na “Dark Church”, uma das igrejas subterrâneas visitáveis de GöremeDosseman/Wikimedia Commons
No entanto, as atrações mais famosas do chamado “Museu a Céu Aberto de Göreme” são bem posteriores à ocupação inicial: datam do período bizantino, por volta do século 11. Isso fica evidente nos afrescos nas igrejas subterrâneas visitáveis, como a Karanlik Kilise (mais conhecida pelo nome em inglês “Dark Church”) ou a Tokali Kilise (ou “Buckle Church”, que na verdade compreende quatro igrejas e uma ermida), com traços típicos da arte dessa era.
Vales e balões
Mais além das igrejas e casas que hoje podem ser visitadas ou até alugadas por temporada para conhecer a Capadócia, os vales de tufas também são conhecidos pelas chamadas “chaminés de fadas”. Elas são formações geológicas formadas inicialmente há cerca de 60 milhões de anos, com cinzas endurecidas que, desde então, passaram pela erosão do vento e da água até deixar um formato inusitado: o “capuz”, mais resistente, é formado por basalto e erode mais devagar
As “chaminés de fadas” na CapadóciaSaid Alamri/Unsplash
Uma boa maneira de ver em sua plenitude essas estruturas é por meio dos famosos passeios de balão, que permitem não só testemunhar um panorama das formações de tufo, mas também dos vales que os rodeiam: o Vale do Amor, de onde costumam partir boa parte dos passeios desse tipo; o Vale dos Pombos, com ninhos das aves esculpidos nas encostas rochosas; e os Vales Vermelho e Rosado, que devem seus nomes ao tom das rochas, cuja cor parece mudar ao entardecer.
Quem não deseja pagar o preço salgado de um passeio de balão mas quer curtir a paisagem mesmo assim pode fazer o outro programa turístico clássico de Göreme: pagar um pernoite em um cave hotel, priorizando aqueles com terraços voltados para os vales onde eles podem ser vistos dominando o céu no começo do dia.
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