Comer cabelo faz mal? Veja caso de menina de 7 anos com ‘massa’ no estômago

Uma menina de 7 anos precisou passar por um procedimento médico de cerca de 15 horas para retirar uma massa de 12 centímetros formada principalmente por cabelos acumulados no estômago. A criança, que ingeria fios desde os 2 anos, apresentava dor abdominal, cansaço e anemia. O caso ocorreu na China e chamou atenção para os riscos de um comportamento que pode passar despercebido pelos familiares.

A massa, conhecida como tricobezoar, também continha restos de alimentos e fios de algodão. Segundo o relato médico, o emaranhado provocou lesões na parede do estômago e precisou ser retirado por endoscopia, técnica que utiliza um aparelho com câmera e instrumentos introduzidos pela boca.

O que acontece quando uma pessoa come cabelo?

O cabelo não é digerido com facilidade pelo organismo. Quando os fios são engolidos repetidamente, podem permanecer no estômago e se misturar a restos de alimentos e muco, formando uma massa compacta.

Esse acúmulo é chamado de tricobezoar. Conforme cresce, pode ocupar espaço no estômago, dificultar a alimentação e provocar irritações ou feridas na parede do órgão. Em situações mais graves, a massa pode causar obstruções no trato digestivo.

No caso da menina, a família acreditava que ela havia deixado de comer cabelo, mas o comportamento continuou. A criança não tinha passado por acompanhamento específico para investigar a ingestão dos fios.

Quais são os sintomas de um tricobezoar?

Os sinais podem variar de acordo com o tamanho da massa e os danos provocados no sistema digestivo. Entre as manifestações possíveis estão:

Dor abdominal, especialmente na parte superior da barriga;
Sensação de estômago cheio mesmo após comer pouco;
Perda de apetite;
Inchaço ou aumento do volume abdominal;
Náuseas e vômitos;
Cansaço e palidez, que podem estar relacionados à anemia;
Perda de peso ou dificuldade para se alimentar adequadamente.

A presença desses sintomas não confirma a existência de um tricobezoar, mas justifica uma avaliação médica. No caso relatado, exames identificaram anemia por deficiência de ferro, baixa concentração de proteínas e vestígios de sangue nas fezes. Os médicos também observaram uma região endurecida na parte superior do abdômen.

A tomografia ajudou a identificar a massa, enquanto a endoscopia permitiu observar o material acumulado e as lesões na parede do estômago.

Como é feita a retirada da massa de cabelo?

A escolha do tratamento depende do tamanho, da consistência e da localização do tricobezoar, além das condições clínicas do paciente. Em massas grandes e resistentes, pode ser necessária uma cirurgia para retirar o material.

No caso da menina, a família recusou inicialmente a operação, e a equipe médica tentou remover o emaranhado por endoscopia. As primeiras tentativas foram pouco eficazes: os instrumentos conseguiam retirar apenas pequenas quantidades de cabelo.

Depois de cerca de oito horas, os profissionais mudaram a estratégia e passaram a fragmentar a massa em camadas finas, retirando os pedaços aos poucos. O procedimento completo durou aproximadamente 15 horas.

A criança apresentou apenas uma dor de garganta leve após a intervenção, recebeu alta quatro dias depois e, no acompanhamento realizado oito semanas mais tarde, estava sem os sintomas anteriores e com melhora do apetite.

A técnica utilizada nesse caso não significa que a endoscopia seja indicada para todos os pacientes. A abordagem precisa ser definida pela equipe médica conforme as características da massa e os riscos envolvidos.

Comer cabelo pode estar relacionado a um transtorno?

A ingestão repetida de cabelo é chamada de tricofagia. Em alguns casos, ela está associada à tricotilomania, condição caracterizada pelo impulso recorrente de arrancar os próprios fios. No entanto, os comportamentos não são necessariamente encontrados juntos, e é importante investigar cada situação individualmente.

Quando uma criança come cabelo com frequência, a família deve conversar com o pediatra para avaliar o comportamento e verificar se há necessidade de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. A investigação ajuda a compreender os fatores envolvidos e a planejar os cuidados adequados.

Repreender ou punir a criança não substitui essa avaliação. O mais importante é abordar a situação com atenção e buscar orientação profissional, mesmo que ela não apresente sintomas físicos.

Quando procurar atendimento médico?

Se a criança ingere cabelo repetidamente, é recomendável buscar orientação pediátrica, ainda que pareça estar bem. Dor abdominal persistente, sensação de saciedade após pequenas refeições, vômitos, perda de apetite ou barriga inchada também precisam ser avaliados.

Dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou presença de sangue nas fezes exigem atendimento rápido.

O caso da menina mostra que a ingestão de cabelo não deve ser tratada apenas como um hábito inofensivo. Além de investigar o comportamento, é importante observar possíveis repercussões físicas para evitar que o acúmulo de fios cause complicações.

Resumo: Comer cabelo repetidamente pode levar à formação de um tricobezoar, massa que se acumula no estômago e pode provocar dor abdominal, sensação de estômago cheio, anemia e lesões no órgão. Uma menina de 7 anos precisou de um procedimento de cerca de 15 horas para retirar uma massa de 12 centímetros. A ingestão frequente de fios deve ser investigada por profissionais de saúde, mesmo quando não há sintomas aparentes.

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