Exposição na Prefeitura de Paris presta homenagem a Sebastião Salgado

Em agosto de 1969, Sebastião Salgado desembarcava em Paris aos 25 anos. A partida do Brasil – então sob uma severa ditadura militar – em direção à capital francesa marcou o início de uma relação afetiva que atravessaria mais de meio século. E, como se vê, o sentimento era recíproco.

Aberta ao público em fevereiro, uma exposição organizada pela Prefeitura de Paris, em colaboração com Lélia Wanick Salgado – viúva do fotógrafo – e a Maison Européenne de la Photographie (MEP), presta uma homenagem ao artista, cuja morte completa um ano em maio. Instalada na prestigiada Salle Saint-Jean, no Hôtel de Ville, a mostra convida o visitante a mergulhar em mais de uma centena de suas fotografias célebres.

Com entrada gratuita mediante reserva pelo site Paris.fr, a visitação se estende até 30 de maio, com funcionamento às terças, quartas, sextas e sábados, das 10h às 18h30, e às quintas, das 13h às 20h. Confira mais detalhes.

Hôtel de Ville recebe exposição-homenagem até o fim de maioMehdi Ben/Unsplash

O que esperar da exposição

A exposição-homenagem percorre as emblemáticas séries que marcaram a carreira de Sebastião Salgado. Entre elas está “Workers” (1993), espécie de arqueologia visual do trabalho manual, construída a partir de registros realizados em diferentes continentes. Também estão presentes as imagens icônicas de Serra Pelada, feitas em 1986 e reunidas na série “Gold – Mina de Ouro Serra Pelada”, em que o fotógrafo documenta as condições extremas do garimpo no Pará, no coração da Amazônia.

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O percurso também dá destaque ao vínculo de Salgado com Paris, revelando as formas, ângulos e texturas que acompanhavam o olhar do fotógrafo sobre a cidade. Ao mesmo tempo, evidencia o trabalho de reflorestamento da Mata Atlântica desenvolvido por ele e Lélia a partir do fim dos anos 1990, com a criação do Instituto Terra, hoje referência em recuperação ambiental e proteção da biodiversidade.

Uma linha do tempo ainda costura momentos decisivos de sua vida e de sua carreira, enquanto um pequeno filme apresenta fotografias inéditas, reveladas a partir do acervo pessoal da família. Ao fim da mostra, a homenagem ganha um tom mais íntimo com a presença das pinturas de Rodrigo Salgado, filho de Sebastião. Nascido com trissomia do cromossomo 21, Rodrigo explora desde cedo o universo pictórico, e encerra a mostra projetando um olhar para as novidades do mundo da arte.

O fotógrafo que conquistou o mundo

Nascido em Aimorés, no leste de Minas Gerais, Salgado, curiosamente, não iniciou sua trajetória profissional pela fotografia. Antes de tudo, formou-se em economia e concluiu o mestrado na mesma área pela Universidade de São Paulo, em 1968. Já no exílio, deu continuidade à vida acadêmica na França, onde obteve o doutorado em economia pela Universidade de Paris, em 1971.

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O interesse pela fotografia viria pouco depois, durante o período em que trabalhou na Organização Internacional do Café, em Londres. As frequentes viagens à África, exigidas pela função, despertaram nele o desejo de registrar visualmente as experiências que vivia pelo caminho. Desse impulso, então, nasceria uma das obras mais marcantes do fotojornalismo brasileiro – conquistando, também, o mundo.

Ao longo da carreira, Salgado produziu séries documentais de grande repercussão internacional e recebeu diversos prêmios e honrarias. Entre eles, estão o Prêmio Erna e Victor Hasselblad e o prêmio de melhor livro de fotografia do ano no Festival Internacional de Arles, concedido a “Workers”.

Dicas para aproveitar o melhor de Paris

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