Uma pesquisa publicada este mês no periódico científico The Astrophysical Journal Letters traz novos detalhes sobre o asteroide Ryugu, a partir de amostras coletadas pela sonda japonesa Hayabusa2 em 2020. A análise revela que o famoso corpo celeste guarda sinais de um encontro relativamente recente com partículas rochosas microscópicas no espaço.
Os cientistas chegaram a essa conclusão ao identificar uma fina camada de sódio, com cerca de 10 nanômetros de espessura, na superfície dos fragmentos estudados. Esse tipo de depósito é considerado incomum, já que elementos voláteis como o sódio tendem a desaparecer rapidamente quando expostos ao ambiente espacial.
Normalmente, substâncias desse tipo são removidas pela ação do vento solar e pela radiação intensa. Por isso, a presença ainda detectável do sódio sugere que o evento que expôs esse material ocorreu há pouco tempo, em termos astronômicos.
Amostras do asteroide Ryugu trazidas de volta à Terra pela sonda Hayabusa2 – Crédito: JAXA/JAMSTEC
Micrometeoritos atingiram Ryugu há cerca de mil anos
Com base na quantidade encontrada, os pesquisadores estimam que Ryugu atravessou uma região rica em micrometeoritos há cerca de mil anos. Embora pareça um período longo para padrões humanos, trata-se de um evento muito recente, considerando que o asteroide se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos.
De acordo com o pesquisador Ernesto Palomba, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália, esse encontro teria alterado significativamente a composição química da superfície. As análises foram feitas em fragmentos extremamente finos, utilizando técnicas capazes de observar estruturas em escala nanométrica.
Experimentos indicam que o sódio pode ser reduzido em até 50% em poucas centenas de anos. Isso levou a equipe a concluir que o acúmulo observado não poderia ser antigo, já que, com o tempo, o elemento seria completamente dissipado no espaço.
Infográfico ilustra processos que sugerem bombardeio de micrometeoritos há mil anos no asteroide Ryugu – Créditos: E. Palomba et al./NotebookLM adaptado ao português por IA/Gemini
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Asteroide tem “cicatrizes” dos impactos
Além do sódio, os cientistas também encontraram sinais físicos desses impactos, como pequenas crateras e estruturas vítreas formadas pelo calor dos choques. Foram identificadas ainda microestruturas associadas à interação com o vento solar.
Outro dado importante foi o aumento na concentração de ferro em partículas expostas na superfície. Segundo os pesquisadores, isso reforça a ideia de que essas regiões sofreram mais alterações do que áreas protegidas no interior do asteroide.
O estudo ajuda a entender como asteroides próximos da Terra podem ter suas superfícies modificadas ao longo do tempo. Esses corpos frequentemente cruzam regiões com alta concentração de detritos espaciais, o que provoca mudanças químicas e físicas.
Na Terra, fenômenos semelhantes acontecem de forma diferente. A atmosfera atua como uma barreira protetora, fazendo com que esses pequenos objetos se desintegrem e produzam eventos luminosos, como chuvas de meteoros.
Já em asteroides como Ryugu, que não possuem atmosfera, os impactos ocorrem diretamente na superfície. Como próximo passo, a equipe pretende realizar experimentos em laboratório para reproduzir as condições observadas e aprofundar o entendimento sobre esses processos.
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