Montadora chinesa quer ser uma mistura de Toyota com Tesla; saiba os planos

A Chery, atual líder nas exportações de veículos da China, revelou uma estratégia ambiciosa para consolidar sua presença no mercado global. Em entrevista recente, o presidente da companhia, Yin Tongyue, afirmou que a montadora busca inspiração em duas gigantes do setor com filosofias opostas: a japonesa Toyota e a norte-americana Tesla.

Estratégia “Double T”: qualidade e inovação

O plano, chamado internamente de “Double T” (T em dobro, em referência a Toyota e Tesla), visa unir o melhor de dois mundos. De acordo com Yin Tongyue à Reuters, o objetivo é herdar a reputação de confiabilidade e qualidade construtiva da Toyota, garantindo a fidelidade dos clientes a longo prazo, enquanto incorpora a capacidade de inovação e tecnologia de ponta da Tesla para atrair consumidores mais jovens.

A empresa, que começou como uma marca de baixo custo em 1996, hoje se posiciona como uma concorrente direta de peso para marcas tradicionais e novas forças do setor de elétricos, como a BYD e a Geely.

Expansão na Europa e produção local

Para sustentar o crescimento internacional, a Chery entende que não pode depender apenas do envio de veículos fabricados na China. O foco agora é a produção local:

Barcelona (Espanha): a montadora já opera uma joint venture em uma antiga fábrica da Nissan e planeja ampliar a capacidade produtiva local.

Parcerias estratégicas: a Chery busca ativamente novas oportunidades para compartilhar instalações de produção com fabricantes europeus, otimizando custos e logística.

Logística sustentável: o presidente destacou que enviar grandes volumes de carros entre continentes não é um modelo de negócio sustentável a longo prazo, reforçando a necessidade de fabricar onde se vende.

Novos mercados e mudança no portfólio

Embora a Chery seja fortemente dependente de SUVs – que representaram 2,3 milhões dos 2,8 milhões de veículos vendidos globalmente em 2025 –, a empresa já trabalha no desenvolvimento de modelos menores. Essa mudança visa atender especificamente ao mercado europeu, onde a preferência por carros compactos é maior do que na China.

As marcas internacionais do grupo, Omoda e Jaecoo, lançadas em 2023, são os pilares dessa expansão. Segundo dados da Reuters, a meta é atingir a marca de 1 milhão de veículos vendidos por essas duas bandeiras até 2027. O sucesso recente do SUV Jaecoo 7, que liderou vendas no Reino Unido em março, reforça o otimismo da fabricante.

O cenário doméstico na China é desafiador, com mais de 100 marcas automotivas travando uma agressiva guerra de preços. No entanto, Yin Tongyue acredita que uma consolidação do setor é iminente. Para o executivo, apenas poucas empresas conseguirão sobreviver e manter operações saudáveis nos próximos anos, e a Chery aposta na sua estratégia global para garantir seu lugar entre as líderes.

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