Em 2026, o concurso Fotógrafo do Ano da Via Láctea, que está na 9ª edição, recebeu um número recorde de inscrições. Promovida pelo blog de viagens Capture the Atlas, a premiação analisou cerca de 6.500 imagens até selecionar as 25 vencedoras, consideradas as mais impressionantes entre registros do céu noturno feitos ao redor do mundo.
As fotos escolhidas mostram a Via Láctea sobre desertos, montanhas, praias, ilhas e paisagens remotas. Em muitos desses locais, a quase ausência de luz artificial permite observar a galáxia com grande nitidez, revelando detalhes difíceis de enxergar em áreas urbanas.
Segundo os organizadores, cada fotografia representa muito mais do que um simples registro do céu. Os trabalhos exigiram planejamento, domínio técnico, criatividade e paciência para esperar pelas condições ideais de clima e iluminação. Em alguns casos, os fotógrafos viajaram para regiões isoladas e enfrentaram frio intenso ou longas noites de espera para conseguir a imagem perfeita.
Via Láctea vista pelos astronautas da Artemis 2 – esta imagem não está entre as 6,5 mil inscritas no concurso – Crédito: NASA
Mais do que valor artístico, fotos trazem alerta
A coleção também reúne momentos raros e passageiros, como alinhamentos celestes e mudanças rápidas na atmosfera. O resultado é uma seleção que destaca não apenas a beleza da Via Láctea, mas também o esforço necessário para capturar fenômenos astronômicos em alta qualidade.
Além do valor artístico, o concurso faz um alerta sobre a poluição luminosa. O avanço da iluminação artificial nas cidades reduz cada vez mais a visibilidade das estrelas e ameaça os chamados céus escuros, considerados essenciais para a observação astronômica.
No comunicado oficial do resultado do concurso, os organizadores explicam que a proposta é incentivar o público a admirar a Via Láctea, conhecer as histórias por trás das fotos e viver experiências sob céus escuros e estrelados, “lembrando que preservar a noite é essencial para manter viva nossa conexão com o Universo”.
Leia mais:
“Zona de Evitamento” da Via Láctea abriga superaglomerado de galáxias gigantesco
Qual é o tipo de planeta mais comum na Via Láctea?
Sol pode ter “fugido” do centro da Via Láctea
Via Láctea é fotografada sobre as mais diversas paisagens
A seguir, você confere alguns dos registros vencedores – veja todos aqui.
“Minha Noite Perfeita”
Intitulado “Minha Noite Perfeita”, o registro abaixo foi feito em Catamarca, Argentina, em uma área remota acessível apenas com veículos 4×4.
“Minha Noite Perfeita” – a Via Láctea no céu argentino – Crédito: Daniel Viñé Garcia via Capture the Atlas
De acordo com o fotógrafo Daniel Viñé Garcia, fotografar a Via Láctea no hemisfério sul foi desafiador e fascinante, já que sua aparência difere significativamente da que ele estava acostumado no norte. “Neste momento, o centro galáctico está à esquerda do arco, enquanto a Nebulosa da Goma aparece à direita, criando um equilíbrio visual natural no céu”, descreve o autor da imagem.
“A Via Láctea Sobre um Campo de Tremoços”
Uma moldura natural de tremoços vibrantes floresce sob o céu infinito de Twizel, na Nova Zelândia, nesta foto feita por Alvin Wu.
Via Láctea emoldurada por tremoços em cores intensas se abre sob o céu amplo de Twizel, na Nova Zelândia – Crédito: Alvin Wu via Capture the Atlas
O registro utiliza uma lente olho de peixe para criar um efeito circular impressionante. No centro, a Via Láctea brilha sobre a região durante o mês de novembro. Ao redor, o campo de tremoços coloridos forma uma moldura natural que destaca o céu noturno. É um registro real da primavera, unindo a botânica local com a astronomia.
“Sinfonia Geminídea Sobre o Guardião do Céu de La Palma”
Este panorama invernal da Via Láctea registra a chuva de meteoros Geminídeas sobre o Gran Telescopio Canarias, em La Palma, na Espanha. De acordo com o fotógrafo Uroš Fink, a viagem foi marcada por clima instável, com tempestades, neve, ventos fortes e poucas janelas de céu limpo. Durante três noites, o acesso ao Observatório Roque de los Muchachos permaneceu bloqueado, forçando a equipe a esperar melhores condições na parte sul da ilha. A abertura da estrada no quarto dia trouxe a chance de subir rapidamente e tentar a captura planejada.
“Sinfonia Geminídea sobre o Guardião do Céu de La Palma” – espetáculo duplo em La Palma – Crédito: Uroš Fink via Capture the Atlas
Mesmo assim, segundo Fink, nuvens voltaram a ameaçar o trabalho, mas a meia-noite o céu abriu. A Via Láctea surgiu acima das nuvens e a imagem final reuniu meteoros, Nebulosa da Goma e processamento complexo em alta resolução científica final.
“Perdido nas Ondulações do Espaço e do Tempo”
Noites calmas no Deserto dos Pináculos revelam a sorte de viver perto de céus tão puros. Quando o sol se põe no Oceano Índico, o silêncio toma conta de Nambung, transformando a areia em um cenário de outro planeta que sempre me convida a voltar.
Esta panorâmica captura o arco da Via Láctea sobre formações de calcário. Destacam-se o alinhamento com o Polo Sul Celeste e a vasta Nebulosa da Goma, um remanescente de supernova. A imagem enfatiza a baixa poluição luminosa da Austrália Ocidental – Crédito: Leonel Padrón via Capture the Atlas
Na imagem, um pilar de calcário aponta para o Polo Sul Celeste, enquanto o brilho avermelhado da Nebulosa da Goma ilumina a imensidão. A Austrália Ocidental guarda alguns dos céus mais lindos do mundo; momentos assim nos lembram de valorizar a paz e a beleza desses cantos remotos.
“Via Láctea Dupla Sobre o Parque Nacional de Monfragüe”
Outra imagem vencedora do concurso apresenta uma visão panorâmica de 360 graus do Parque Nacional de Monfragüe. O céu noturno mostra a faixa brilhante da Via Láctea em diferentes momentos do ano, criando a impressão de encontro entre o céu de inverno e o de verão.
Imagem panorâmica 360° do Parque Nacional de Monfragüe, na Espanha, integra arco sazonal da Via Láctea – Crédito: Luis Cajete via Capture the Atlas
A foto foi feita com várias exposições longas combinadas digitalmente, unindo imagens em uma só e revelando o movimento aparente das estrelas sobre o quartzito e o Rio Tejo. A obra também sugere nebulosas invisíveis a olho nu, equilibrando técnica e estética e integrando tempos diferentes numa visão do cosmos ancorada na Terra mesmo.
“Salto del Agrio”
Esta astrofotografia panorâmica captura o Salto del Agrio, na Argentina, sob o arco completo da Via Láctea. A composição destaca o cânion de basalto esculpido por lavas do vulcão Copahue, onde minerais como ferro e enxofre colorem as rochas. Tecnicamente, a imagem exigiu planejamento rigoroso do alinhamento galáctico e múltiplas exposições de longa duração para garantir detalhes nítidos tanto no relevo terrestre quanto nas nebulosas estelares.
Composição utiliza múltiplas exposições para alinhar o arco da Via Láctea ao cânion vulcânico em Salto del Agrio, na Argentina, superando ventos extremos para registrar detalhes minerais e estelares nítidos – Crédito: Luis Cajete via Capture the Atlas
O desafio principal foi a estabilidade do equipamento sob ventos fortes e frio intenso. Através da técnica de exposições sucessivas, foi possível mitigar o ruído digital e equilibrar a iluminação da queda d’água com a luz astral. O resultado une geologia e astronomia em um registro de alta precisão técnica.
“O Jardim das Estrelas”
Entre as imagens vencedoras do concurso está o registro de um campo de lavanda no Appennino Bolognese, Itália. A composição une a floração sazonal à visibilidade do núcleo da Via Láctea, aproveitando a baixa poluição luminosa da região para destacar o céu.
A obra combina o rastro dos vaga-lumes com a longa exposição necessária para o plano estelar. O prêmio reconhece o rigoroso planejamento climático e o processamento cuidadoso que preserva a fidelidade dos elementos.
O post Concurso mundial elege as melhores fotos da Via Láctea apareceu primeiro em Olhar Digital.





