França abre investigação criminal contra Elon Musk e X por Grok

Os promotores de Paris transformaram em investigação criminal o caso envolvendo Elon Musk e a plataforma X. As autoridades francesas apuram suspeitas relacionadas a imagens de abuso sexual infantil, deepfakes sexualmente explícitos, desinformação e possível cumplicidade na negação de crimes contra a humanidade por meio do sistema de inteligência artificial Grok.

O Ministério Público de Paris informou na quinta-feira que decidiu ampliar a apuração iniciada no começo de 2025. A investigação também envolve alegações de manipulação de algoritmos para influenciar e interferir na política francesa.

Grok está na mira das autoridades francesas – Imagem: Algi Febri Sugita / Shutterstock

Buscas e convocações

As autoridades francesas fizeram buscas no escritório da X em Paris em fevereiro. Na ocasião, Musk afirmou que a operação era um “ataque político”.

A investigação foi aberta em janeiro de 2025 pela unidade de crimes cibernéticos do Ministério Público de Paris. Musk e Linda Yaccarino foram convocados para “entrevistas voluntárias” em 20 de abril, mas não compareceram. Segundo as autoridades francesas, a ausência não impediria o avanço da investigação. Yaccarino ocupou o cargo de CEO da X entre maio de 2023 e julho de 2025.

Acusações envolvendo o Grok

Os promotores franceses investigam possível “cumplicidade” na posse e disseminação de imagens de abuso sexual infantil, deepfakes sexualmente explícitos, negação de crimes contra a humanidade e manipulação de sistema automatizado de processamento de dados como parte de grupo organizado, entre outras acusações.

O Grok, desenvolvido pela xAI e integrado à X, gerou repercussão neste ano após produzir imagens deepfake sexualizadas e não consensuais em respostas a solicitações de usuários da plataforma.

Grok foi desenvolvido pela xAI e integrado ao X – Imagem: Ahyan Stock Studios/Shutterstock

O chatbot também publicou, em francês, uma mensagem amplamente compartilhada afirmando que as câmaras de gás do campo de Auschwitz-Birkenau foram projetadas para “desinfecção com Zyklon B contra tifo”, e não para assassinato em massa. A formulação é associada à negação do Holocausto. Posteriormente, o Grok reconheceu que a resposta anterior estava errada e afirmou que ela havia sido apagada, citando evidências históricas de que mais de 1 milhão de pessoas foram mortas nas câmaras de gás de Auschwitz com Zyklon B.

Autoridades dos EUA foram alertadas

Em março, o Ministério Público de Paris informou ter alertado o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a Comissão de Valores Mobiliários (SEC). Segundo os promotores, existe a suspeita de que a controvérsia envolvendo os deepfakes sexualmente explícitos gerados pelo Grok possa ter sido “deliberadamente orquestrada” para aumentar artificialmente o valor das empresas X e xAI, o que poderia configurar crimes.

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