A SpaceX fez história com a estreia na bolsa de valores dos Estados Unidos nesta sexta-feira (12). A empresa fundada por Elon Musk chegou ao mercado avaliada em cerca de US$ 1,77 trilhão e protagoniza a maior oferta pública inicial (IPO) já realizada.
A companhia abriu o dia com ações a US$ 150, acima do precificado no dia anterior, de US$ 135. O interesse pelos ativos foi tão grande que os pedidos de compra superaram em até quatro vezes o volume disponibilizado e tornaram Musk o primeiro trilionário do mundo.
Até surgiram dúvidas se haveria uma supervalorização da SpaceX – afinal, até agora, o executivo prometeu mais do que realmente entregou. O Olhar Digital consultou especialistas que explicaram o que justifica a avaliação tão alta e o que deve mudar na empresa daqui para frente (inclusive o papel de Musk na liderança). Você pode ler o conteúdo completo aqui.
A movimentação mexeu não só com o mercado norte-americano. As ações da SpaceX estrearam simultaneamente na B3, a bolsa do Brasil. O OD te explica como investir e os riscos desse tipo de ativo.
Como investir na SpaceX do Brasil?
Existem diferentes caminhos para quem deseja ter uma ação da companhia.
A alternativa mais simples é por meio dos BDRs (Brazilian Depositary Receipts), certificados negociados na B3 que representam ações de empresas listadas no exterior. Na prática, eles permitem que investidores brasileiros tenham acesso a companhias estrangeiras sem precisar abrir conta fora do país ou realizar operações de câmbio.
Basicamente: dá para comprar uma ação da SpaceX em reais, sem abrir conta internacional, diretamente com a corretora de investimentos.
A negociação acontece sob o código SPCX34 e na proporção 1:15. Ou seja, cada ação da companhia no exterior corresponderá a 15 BDRs negociados na B3. Segundo a bolsa brasileira, será possível ter um ativo da SpaceX por um preço entre R$ 50 e R$ 70.
Os BDRs facilitam o acesso de investidores de varejo a empresas do exterior. A companhia de Elon Musk não é a primeira: nomes como Microsoft, Amazon, Alphabet, Meta, Nvidia, Tesla, Netflix, Disney, Coca-Cola e McDonald’s também vendem suas ações no Brasil dessa forma. A B3 revelou que, até o final de abril deste ano, mais de 1 milhão de investidores tinham BDRs nas suas carteiras.
Segundo Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, a chegada do BDR da SpaceX para os brasileiros permite ampliar o leque de opções para quem busca uma carteira de investimentos diversificada. Além disso, aumenta a “exposição a empresas globais de inovação sem sair do ambiente da bolsa do Brasil”.
Outra possibilidade é investir diretamente no mercado americano por meio de corretoras que oferecem acesso à Nasdaq, de Nova York. Nesse modelo, o investidor compra as ações originais da SpaceX, negociadas sob o código SPCX, utilizando uma conta internacional.
Kenneth Corrêa, especialista em tecnologias emergentes, palestrante internacional e professor da FGV, menciona uma terceira alternativa: investir indiretamente por meio de fundos temáticos ou ETFs (Exchange Traded Fund, um fundo de investimento) que eventualmente passem a incluir a SpaceX em suas carteiras. Nesse caso, o investidor não compra a ação diretamente, mas sim uma espécie de pacote de ativos.
Para ele, é apenas questão de tempo até que gestores brasileiros lancem fundos locais com ativos da SpaceX.
É possível participar do IPO?
Na teoria, sim. Na prática, o acesso costuma ser limitado.
Em grandes ofertas públicas, a maior parte das ações é destinada a investidores institucionais, como fundos de investimento, gestoras e clientes de alta renda.
A SpaceX tem uma particularidade nesse sentido: a empresa reservou até 30% das ações ofertadas para o público de varejo. Mesmo assim, a demanda elevada reduz as chances de pequenos investidores conseguirem sua fatia.
Quem não conseguir ações no primeiro momento ainda poderá adquirir os papéis quando começarem a ser negociados livremente nas bolsas.
Além do Brasil, as ações da SpaceX também estarão disponíveis na Argentina, México, Índia, Reino Unido, Austrália, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul e países integrantes do Espaço Econômico Europeu.
Quais são os riscos?
Apesar do entusiasmo envolvendo o IPO, investir na SpaceX não é uma decisão livre de riscos.
Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, defende que o valor de mercado apresentado não tem a ver apenas com o que a companhia entrega agora, mas com o que pode entregar no futuro. Isso porque muitas das promessas de Musk (como os data centers orbitais) ainda não se provaram viáveis. Nesse caso, o retorno financeiro pode demorar a aparecer.
Corrêa também chamou a atenção para o “efeito Elon Musk”. O empresário continua exercendo forte influência sobre a companhia e mantém controle sobre as decisões estratégicas, com mais de 85% de direito de voto. Para alguns investidores, isso representa uma vantagem. Para outros, aumenta a dependência da empresa em relação a seu fundador.
Outro ponto de atenção é a volatilidade. IPOs muito disputados costumam registrar fortes oscilações nos primeiros dias de negociação, especialmente quando a demanda é maior do que a quantidade de ações disponíveis.
A B3 também destaca que, apesar da facilidade de acesso dos investidores brasileiros aos ativos, os BDRs estão sujeitos a variações, à oscilação cambial e à volatilidade dos mercados internacionais.
No caso de empresas de tecnologia e crescimento, como a SpaceX, esses movimentos podem ser ainda mais relevantes.
B3
Vale a pena investir?
A resposta depende do perfil e dos objetivos de cada investidor.
Boragini acredita que o IPO tende a aumentar o interesse de investidores em temas ligados a tecnologia espacial, satélites, inteligência artificial e infraestrutura digital. Mas o retorno não é imediato: a aposta é justamente no crescimento a longo prazo.
O acesso ficará mais fácil, mas os riscos continuam os mesmos. (…) Mais do que uma abertura de capital, a operação representa um teste importante para medir até onde os investidores estão dispostos a apostar em empresas que unem inovação, tecnologia e infraestrutura estratégica para longo prazo.
Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos
Kenneth Corrêa defende que o movimento da SpaceX “joga luz sobre a urgência e a viabilidade de uma nova infraestrutura tecnológica”, e pode ampliar o acesso brasileiro às tecnologias de ponta.
Imagine o agronegócio ou empresas de logística no Brasil Profundo, onde a conectividade tradicional ainda falha, tendo acesso contínuo ao mesmo poder de automação e computação cognitiva que uma empresa no Vale do Silício. É a infraestrutura global de IA chegando a qualquer ponto do planeta (e sua órbita).
Kenneth Corrêa, especialista em tecnologias emergentes, palestrante internacional e professor da FGV
Brasil Profundo se refere à realidade social, econômica e cultural que existe para além dos grandes centros urbanos brasileiros.
No geral, ações de empresas como a SpaceX costumam atrair quem busca exposição a setores inovadores e está disposto a conviver com oscilações mais intensas em troca de potencial de crescimento no longo prazo. Por outro lado, investidores mais conservadores tendem a preferir alternativas com maior previsibilidade.
O post Quer investir na SpaceX? Veja como brasileiros podem comprar ações da empresa de Musk apareceu primeiro em Olhar Digital.





