Fazer as unhas faz parte da rotina de muitas brasileiras. Seja no salão, em casa ou com uma manicure que atende em domicílio, o cuidado com as mãos costuma ser um compromisso semanal. O que muita gente não imagina é que, quando os materiais não são esterilizados corretamente, esse hábito pode representar um risco para a saúde.
Durante o Julho Amarelo, campanha dedicada à conscientização sobre as hepatites virais, especialistas reforçam que os vírus das hepatites B e C podem ser transmitidos pelo contato com sangue contaminado presente em alicates, espátulas e outros instrumentos perfurocortantes. Por isso, tanto profissionais quanto clientes têm um papel importante na prevenção.
Como a transmissão pode acontecer?
As hepatites B e C são doenças causadas por vírus que podem ser transmitidos pelo contato com sangue contaminado. Em um salão de beleza, o risco existe quando instrumentos utilizados em uma pessoa são reutilizados em outra sem a esterilização adequada.
Segundo Patrícia Almeida, hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein, esse cuidado é indispensável para evitar a transmissão. “O sangue contaminado que pode estar presente em alicates de unhas e em outros utensílios utilizados na manicure/pedicure pode contaminar a própria profissional ou a cliente seguinte”, explica a médica.
O que não pode faltar na rotina da manicure?
Para reduzir o risco de contaminação, a especialista recomenda que os profissionais adotem protocolos rigorosos de higiene durante todos os atendimentos. Entre os principais cuidados estão:
esterilizar alicates, espátulas e instrumentos metálicos em autoclave;
lavar as mãos antes e depois de cada atendimento;
utilizar luvas durante os procedimentos;
descartar lixas de unha, lixas para os pés e palitos de madeira após o uso;
higienizar bacias de pés e mãos entre um cliente e outro;
utilizar toalhas limpas para cada atendimento.
Estufa e forno são a mesma coisa?
Ainda existem dúvidas sobre a forma correta de esterilizar os instrumentos utilizados na manicure. Segundo Patrícia, um erro comum é acreditar que um forno convencional pode substituir os equipamentos próprios para esse processo.
“Fornos não esterilizam metais. A profissional deve seguir corretamente as instruções do manual do equipamento de esterilização. No caso da estufa, deve-se mantê-la fechada durante todo o processo, ou seja, o material deve permanecer por uma hora a 170º C (observar a temperatura recomendada no termômetro longo do bulbo)”, orienta.
Antes da esterilização, os instrumentos também precisam passar por uma etapa de limpeza com água corrente, detergente e escova apropriada. Depois de secos, devem ser embalados corretamente antes de serem colocados no equipamento.
Riscos no salão. Foto: Magnific
Vale a pena levar o próprio kit?
Para quem deseja aumentar a segurança durante os procedimentos, a recomendação da especialista é simples. “Infelizmente, é bem complicado que a cliente tenha a segurança de uma esterilização adequada. Logo, a orientação mais correta é que cada uma tenha seu próprio ‘kit’, contendo alicate, espátula, lixa, palito e toalha”, afirma Patrícia. Ter materiais de uso individual reduz significativamente o risco de contaminação cruzada.
Hepatites costumam ser silenciosas
Um dos principais desafios dessas doenças é que muitas pessoas permanecem infectadas durante anos sem apresentar sintomas. Por isso, o diagnóstico precoce é considerado fundamental para iniciar o tratamento e evitar complicações, como cirrose e câncer de fígado.
Além dos cuidados em salões de beleza, especialistas lembram que a prevenção também inclui vacinação contra a hepatite B, uso de materiais descartáveis sempre que possível e realização de testes quando houver indicação médica.
Resumo:
Instrumentos de manicure mal esterilizados podem transmitir os vírus das hepatites B e C quando entram em contato com sangue contaminado. Segundo a hepatologista Patrícia Almeida, manter protocolos de higiene, utilizar materiais descartáveis e, sempre que possível, levar o próprio kit de manicure são medidas importantes para reduzir o risco de infecção.
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