A saúde do fígado está diretamente ligada às escolhas feitas no dia a dia. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e redução do consumo de álcool e açúcar ajudam a prevenir doenças hepáticas, que vêm aumentando em todo o mundo. Especialistas afirmam que, em muitos casos, mudanças no estilo de vida conseguem evitar ou até reverter alterações no órgão.
Responsável por filtrar o sangue, armazenar energia, regular os níveis de açúcar e participar da digestão, o fígado desempenha funções essenciais para o organismo. Quando sofre com o acúmulo de gordura, inflamação ou cicatrizes, o risco de desenvolver cirrose e até câncer aumenta.
À Folha de São Paulo, o hepatologista Zoubair Younossi, da Universidade de Georgetown, explica que o excesso de álcool e problemas metabólicos, como diabetes tipo 2, hipertensão e obesidade abdominal, favorecem o desenvolvimento da doença hepática esteatótica.
Quais hábitos prejudicam a saúde do fígado?
O especialista aponta que alguns comportamentos aumentam significativamente o risco de danos ao órgão.
Consumir álcool em excesso: o chamado binge drinking, quando há ingestão de cinco ou mais doses em uma única ocasião, está entre os hábitos mais prejudiciais e acelera o acúmulo de gordura no fígado.
Exagerar no açúcar: o consumo frequente de refrigerantes, bebidas adoçadas e alimentos ultraprocessados favorece a resistência à insulina e o desenvolvimento de doença hepática gordurosa. As diretrizes recomendam limitar o açúcar adicionado a até 25 gramas por dia para mulheres.
Confiar em suplementos e “detox”: produtos vendidos como limpeza hepática não apresentam benefícios comprovados para a saúde do fígado. Segundo a nutricionista Dawn Anderson, alguns suplementos podem até causar lesões por conter ingredientes desconhecidos ou em doses inadequadas.
O que realmente ajuda a proteger a saúde do fígado?
A boa notícia é que hábitos consistentes oferecem resultados importantes.
Praticar atividade física regularmente: alcançar pelo menos 150 minutos semanais de exercícios aeróbicos, combinados com musculação duas vezes por semana, reduz gordura abdominal, melhora a resistência à insulina e favorece a saúde do fígado.
Manter um peso saudável: perder apenas 3% do peso corporal já melhora alguns marcadores hepáticos. Reduções superiores a 10% podem contribuir para diminuir a fibrose em alguns pacientes.
Seguir uma alimentação inspirada na dieta mediterrânea: frutas, verduras, legumes, peixes, leguminosas e gorduras saudáveis ajudam a reduzir o risco de complicações cardiovasculares e beneficiam o funcionamento do fígado. Ao mesmo tempo, vale reduzir carnes gordurosas, frituras e alimentos ultraprocessados.
Consumir café com moderação: estudos associam o consumo de até quatro xícaras por dia a um menor risco de cirrose e menor formação de cicatrizes hepáticas, embora mais pesquisas ainda sejam realizadas sobre seus efeitos.
O que é bom para desintoxicar o fígado? – Freepik
Quando procurar avaliação médica para cuidar da saúde do fígado?
Mesmo sem sintomas, pessoas com fatores de risco devem conversar com um profissional de saúde. O rastreamento para hepatite C deve ser realizado ao menos uma vez na vida por todos os adultos, enquanto a vacinação contra hepatite B continua sendo uma importante medida preventiva.
Quem convive com diabetes tipo 2, excesso de peso ou alterações em exames laboratoriais também pode precisar de avaliações específicas para identificar precocemente alterações hepáticas. O acompanhamento médico permite iniciar intervenções antes que o quadro evolua para complicações mais graves.
Pequenas mudanças feitas de forma consistente costumam trazer benefícios duradouros. Cuidar da alimentação, movimentar o corpo e manter os exames em dia são atitudes que ajudam a preservar o funcionamento do fígado e contribuem para uma saúde mais equilibrada ao longo da vida.
Resumo: A saúde do fígado depende de hábitos como alimentação equilibrada, prática de exercícios e redução do consumo de álcool e açúcar. Especialistas alertam que suplementos detox não têm eficácia comprovada e podem causar danos. Exames preventivos, vacinação contra hepatite B e rastreamento para hepatite C também ajudam a prevenir doenças hepáticas. Mudanças simples na rotina podem reduzir o risco de complicações e preservar o funcionamento do órgão.
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