Perda auditiva e zumbido crescem no Brasil e prevenção deve começar desde a infância

A saúde auditiva tem despertado preocupação entre especialistas diante do aumento dos casos de perda auditiva e zumbido registrados nos últimos anos. A exposição constante ao excesso de ruído, o uso inadequado de fones de ouvido e o envelhecimento da população estão entre os principais fatores que contribuem para esse cenário, que já afeta pessoas de todas as idades.

Segundo a fonoaudióloga Dra. Ariane Bonucci, especialista em Audiologia Clínica, mestre em Ciências Médicas e sócia-fundadora do Espaço da Audição, a perda auditiva e o zumbido figuram entre as alterações auditivas que mais comprometem o bem-estar, a comunicação e a interação social.

“Vivemos em uma sociedade cada vez mais exposta ao ruído, seja pelo uso frequente de fones de ouvido em volume elevado, pelo trânsito intenso, pelos ambientes de trabalho ou por eventos com música alta. Além disso, o aumento da expectativa de vida faz com que mais pessoas desenvolvam alterações naturais da audição”, explica.

Problema vai muito além do envelhecimento

Embora aproximadamente 70% das pessoas apresentem algum grau de perda auditiva após os 60 anos, Dra. Ariane Bonucci ressalta que limitar esse problema ao envelhecimento é um equívoco.

De acordo com a especialista, crianças, adolescentes e adultos também podem desenvolver alterações auditivas em decorrência de fatores genéticos, infecções, doenças, uso de medicamentos ototóxicos e, principalmente, pela exposição frequente a níveis elevados de ruído.

Check-up auditivo deve fazer parte da rotina

Outro desafio apontado pela especialista é a falta de conscientização sobre a importância da prevenção. Para ela, a avaliação auditiva deveria integrar a rotina de cuidados com a saúde, assim como exames oftalmológicos e cardiológicos.

“Precisamos criar a cultura do check-up auditivo. Muitas pessoas só procuram ajuda quando a dificuldade para ouvir já compromete a comunicação e a qualidade de vida. Quanto mais cedo identificamos qualquer alteração, maiores são as possibilidades de tratamento e melhores os resultados”, afirma.

Saúde auditiva e qualidade de vida caminham juntas

Há 13 anos, o Espaço da Audição atua com a missão de promover saúde auditiva e devolver qualidade de vida aos pacientes. A instituição possui uma rede de atendimento em todo o Brasil, oferecendo avaliações auditivas completas, adaptação de aparelhos auditivos, acompanhamento contínuo e orientação especializada para pacientes e familiares.

Além do atendimento clínico, a empresa investe em ações educativas por meio de palestras, entrevistas, campanhas de conscientização e produção de conteúdos informativos sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da perda auditiva.

Para Dra. Ariane Bonucci, ouvir bem significa muito mais do que perceber sons.

“A audição nos conecta às pessoas, às emoções e aos momentos mais importantes da vida. Quando ela começa a falhar, muitas pessoas deixam de participar das conversas, evitam encontros familiares, enfrentam dificuldades no trabalho e acabam perdendo sua autonomia e confiança.”

Sinais que merecem atenção

Entre os principais sintomas que indicam a necessidade de uma avaliação auditiva estão:

Necessidade frequente de pedir para que as pessoas repitam o que disseram;
Aumento constante do volume da televisão;
Dificuldade para compreender conversas em ambientes com muito ruído;
Problemas para conversar ao telefone;
Presença de zumbido;
Comentários de familiares sobre dificuldades para ouvir.

Zumbido é um sinal de alerta

Um dos sintomas que mais têm levado pacientes aos consultórios é o zumbido. Segundo Dra. Ariane Bonucci, ele não é uma doença, mas um sintoma que indica a necessidade de investigação.

“O zumbido é a percepção de sons como chiados, apitos ou assobios sem que exista uma fonte sonora externa. Em cerca de 90% dos casos, ele está associado à perda auditiva, mas também pode estar relacionado ao estresse, à ansiedade, a alterações circulatórias, problemas na articulação da mandíbula, alimentação ou ao uso de determinados medicamentos.”

A especialista destaca que existem tratamentos eficazes, principalmente quando a causa é identificada precocemente. Entre as alternativas estão a adaptação de aparelhos auditivos, terapias sonoras, acompanhamento multiprofissional e o tratamento das condições associadas.

Hábitos simples ajudam a preservar a audição

Entre as recomendações para manter uma boa saúde auditiva ao longo da vida estão:

Utilizar fones de ouvido em volume moderado;
Evitar longos períodos de exposição a sons intensos;
Fazer pausas durante o uso de fones;
Utilizar protetores auriculares em ambientes muito ruidosos;
Nunca introduzir objetos no ouvido;
Controlar doenças como diabetes e hipertensão;
Realizar avaliações auditivas periodicamente.

Para Dra. Ariane Bonucci, cuidar da audição é investir na saúde e no bem-estar em todas as fases da vida.

“A audição merece os mesmos cuidados dedicados à visão, ao coração e à saúde como um todo. Cuidar da audição é preservar a comunicação, a autonomia, o funcionamento saudável do cérebro e a qualidade de vida. Com opções cada vez mais acessíveis, cuidar da audição deixou de ser um privilégio. O que realmente pesa é perder conversas, oportunidades e momentos especiais por não buscar ajuda”, conclui.