Depois de quase duas décadas fora de operação, o Ramal Silvestre, trecho icônico dos Bondes de Santa Teresa, voltou à ativa no Rio de Janeiro. A revitalização do trecho atrasou em um ano em relação ao prazo original e resultou na substituição de aproximadamente 667 toneladas de trilhos, 28 mil metros quadrados de pavimentação, reformas no sistema de drenagem e requalificação de aproximadamente 6 quilômetros da rede aérea.
Inaugurado em 1896, o Bonde de Santa Teresa é um dos poucos bondinhos de seu tempo que ainda estão em atividade no mundo. Durante o trajeto de meia hora (5,8 km) entre a região central e o Silvestre, os visitantes podem apreciar vistas panorâmicas da cidade, cruzando os Arcos da Lapa, ruas históricas do bairro de Santa Teresa e mirantes naturais que dão vista para o centro da Cidade Maravilhosa.
O bonde amarelinho é um dos principais cartões postais da cidade, aparecendo até em produções estrangeiras como o filme Rio (2011), além de filmes brasileiros como Vai Trabalhar Vagabundo (1973) e Um Bonde Chamado Saudade (1975).
O retorno do ramal Silvestre para o trajeto dos bondes está cada vez mais próximo. Depois de 20 anos desativado, o Ramal Silvestre está voltando. A linha teve a infraestrutura completamente reconstruída e os testes com passageiros já começaram, beneficiando moradores da região e turistas e fortalecendo um dos principais atrativos turísticos da cidade. Vem aí.
Atrações
O trajeto do bonde vale o passeio tanto pela experiência quanto pelas belas vistas da capital carioca. Entre eles, os Arcos da Lapa, por onde o bonde passa. O antigo aqueduto carioca hoje serve como viaduto para os bondes. Os visitantes também têm vista para a Baía de Guanabara, no centro da cidade.
Outro chamariz da atividade é conhecer o bairro de Santa Teresa. O bonde faz parte da paisagem urbana desde 1896 e acompanhou a transformação da região de um refúgio da elite carioca (como era no início do século 19) até se tornar o polo cultural que é hoje: preenchido por ateliês e galerias de arte, lojas de artesanato, bares e casarões coloniais. É interessante explorar o bairro a pé, conhecendo a arquitetura única do lugar, com suas ruas estreitas de paralelepípedos.
História
A história do Bonde de Santa Teresa começa em 1872, com a concessão de linhas de carris para o morro de Santa Teresa e o morro Paula Mattos, o que deu origem à Companhia Ferro-Carril de Santa Teresa. Nos primórdios, os bondes se movimentavam apenas por tração animal. A eletricidade passou a ser utilizada em 1892.
Com a implementação da tração elétrica, a Companhia Ferro-Carril passou a usar o então Aqueduto Carioca – os atuais Arcos da Lapa – como via de acesso dos bondes ao morro Santa Teresa. O Bonde de Santa Teresa foi inaugurado oficialmente em 1896.
Ao longo das décadas, a cidade foi mudando e os bondes foram caindo em desuso. Em 1968, o bonde ficou restrito ao trajeto entre Centro e Santa Teresa, sendo desativado em outras regiões da cidade. Em 1983, o bonde foi tombado e se tornou patrimônio nas áreas onde ainda circulava.
Cenas de passageiros pendurados nos estribos dos bondes superlotados ficaram no passado: após tragédias em 2011, veículos circulam com lotação máxima de 32 pessoas senadasAndre Oliveira/Wikimedia Commons
Em 2011, dois acidentes acabaram obrigando à modernização do bonde: no mais trágico, o veículo descarrilou e matou seis pessoas. Após o ocorrido, foram realizadas reformas, testes e modernizações técnicas pensando na segurança e na preservação do transporte – entre outras medidas, tornou-se obrigatória uma lotação máxima de passageiros sentados, encerrando as cenas de viajantes pendurados nos estribos.
Em 2023, foram retomadas as obras para recuperar o trajeto original completo, o que envolveu a reforma dos ramais Paula Mattos e Silvestre – que, agora, está de volta.
Serviço
O Bonde de Santa Teresa vem operando em quatro viagens diárias partindo da Estação Carioca, no número 2 da Rua Lélio Gama (Centro), às 10h, 11h, 14h e 15h.
Os bilhetes para o passeio custam R$ 20 e dão direito a ida e volta no veículo. Eles são vendidos prioritariamente na Estação Carioca, mediante disponibilidade de lugares.
É importante se programar para comprar os bilhetes, especialmente em fins de semana e feriados, pois a procura pelo passeio é grande. A venda só é feita para passageiros que estiverem na plataforma e são aceitos pagamentos em dinheiro ou cartões de débito e crédito – não é possível pagar com PIX.
O passeio é pet friendly, mas seu amigo de quatro patas deve permanecer em uma caixa de transporte apropriada durante todo o passeio, a menos que você apresente uma autorização médica específica.
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