A chegada do teste genético no SUS amplia a investigação de alterações hereditárias ligadas ao câncer de mama. A tecnologia analisa os genes BRCA1 e BRCA2, associados a uma maior predisposição para tumores de mama e ovário, e pode ajudar médicos e pacientes a planejar o cuidado de forma individualizada.
O Ministério da Saúde aprovou a incorporação do sequenciamento de nova geração, conhecido como NGS, após avaliação da Conitec. Na rede pública, o exame será destinado a mulheres já diagnosticadas com câncer de mama que preencham os critérios clínicos definidos.
O resultado pode trazer informações importantes para além do diagnóstico atual. Segundo o geneticista Paulo Zattar Ribeiro, identificar uma variante patogênica pode influenciar acompanhamento, prevenção e até a avaliação de parentes que possam ter herdado a mesma alteração. “É uma informação que ultrapassa o diagnóstico individual”, explica.
Quem pode fazer o teste genético no SUS?
A oferta do exame pela rede pública não será automática para qualquer mulher. A indicação depende do quadro clínico, da história pessoal e dos critérios estabelecidos. Entre os fatores estão diagnósticos em idade mais jovem, câncer de mama bilateral, casos de câncer de ovário na família e câncer de mama em homens.
A ginecologista Karoline Prado explica que observar a história familiar ajuda a montar uma espécie de mapa de risco. “Ter uma mãe, irmã ou tia que teve câncer não significa automaticamente que exista uma mutação hereditária”, afirma. A idade ao diagnóstico, o tipo de tumor e a quantidade de familiares afetados também entram nessa avaliação.
Conversar com os parentes sobre doenças que ocorreram na família pode trazer pistas úteis para a consulta. A investigação genética ganha mais sentido quando essas informações são analisadas em conjunto.
Teste genético não substitui a mamografia – Crédito: José Cruz│Agência Brasil
O que um resultado positivo para BRCA1 e BRCA2 significa?
Encontrar uma alteração em BRCA1 e BRCA2 não significa que a pessoa obrigatoriamente terá câncer. Esses genes participam de mecanismos de reparo do DNA, e algumas variantes aumentam a predisposição hereditária para determinados tumores. Ainda assim, risco não é sinônimo de destino.
“É importante desmistificar a ideia de que um teste genético funciona como uma sentença”, afirma Paulo. Segundo ele, a interpretação precisa considerar fatores clínicos e familiares e deve ser feita por uma equipe capacitada.
Quando uma mutação hereditária aparece, outros integrantes da família também podem se beneficiar de uma avaliação. Isso não significa, porém, que todos devam buscar exames por conta própria. O aconselhamento genético ajuda a definir quem realmente tem indicação.
O teste genético substitui a mamografia?
Não. Mesmo com o avanço da medicina de precisão, o exame genético não substitui mamografia, consulta médica, exame clínico ou outras estratégias de acompanhamento. Um resultado negativo para BRCA1 e BRCA2 também não elimina o risco de câncer de mama.
Karoline reforça que o cuidado deve continuar individualizado. “O acesso ao teste é um avanço, mas acesso à tecnologia precisa vir acompanhado de acesso à informação”, afirma. A paciente precisa entender o que o exame investiga, quem tem indicação e quais podem ser os próximos passos depois do resultado.
A chegada do exame à rede pública amplia o acesso a uma ferramenta que pode ajudar no planejamento do cuidado. Mais do que revelar uma alteração genética, o teste genético no SUS pode abrir caminho para decisões mais personalizadas, sempre com interpretação médica e análise do histórico familiar.
Resumo: O teste genético no SUS identifica alterações hereditárias em BRCA1 e BRCA2 em mulheres com câncer de mama que atendam aos critérios clínicos. O resultado pode orientar acompanhamento, prevenção, tratamento e avaliação de familiares. Uma mutação indica aumento de risco, mas não determina que o câncer ocorrerá. O exame não substitui mamografia, consultas ou outras medidas de acompanhamento.
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